Ignacio García

Ignacio García Nuñez

Valparaíso, Chile, 1970s [?]

Estudou trompa na Universidade do Chile com Raul Silva, de 1982 a 1989, e aprofundou seus estudos na Universidade Católica do Chile com Edward Brown e finalmente completou seu treinamento técnico de 1989 a 1990 na Academia da Filarmônica de Berlim com Norbert Hauptmann.

Em 1993, Ignacio García tornou-se o primeiro trompista da Staatskapelle de Berlim e leciona como professor na Academia Barenboim-Said em Sevilha, sendo desde 2002 um mentor da Orquestra West-Eastern Divan.

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Matthias Baier

Matthias Baier

Rostock, Alemanha, 1965

Iniciou seus estudos musicais aos 6 anos, especializando-se no fagote na Escola Hans Eisler em Berlim. Desde 1987 é o fagotista principal da Staatskapelle de Berllim. É membro fundador do quinteto de sopros Kammervereinigung Berlin, com o qual ganhou inúmeros prêmios importantes, dentre eles o Deutscher Musikwettbewerb de 1991 e o Concurso de Música de Câmara de Colmar em 1993. Desde 1994 vem atuando como fagotista da Orquestra do Festival de Bayreuth. Em 2014, como integrante do Ensemble Blumina, ganhou o prêmio Echo-Klassik.

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Tibor Reman

Tibor Reman

Cluj-Napoca, Romênia, 1981

Filho de pais húngaros, nasceu na Romênia. Iniciou seus estudos musicais na Academia de Música de sua cidade natal e posteriormente ingressou na Academia Franz Liszt de Budapeste. Entre 2004 e 2008 aperfeiçoou-se em Berlim com o professor e clarinetista brasileiro François Benda. De 2004 a 2006 integrou a Orquestra do Festival de Budapeste sob a direção de Iván Fischer. Em 2007 integrou a West-Eastern Divan. Desde 2010 é o clarinetista principal da Staatskapelle de Berlim sob a batuta de Barenboim.

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Claudia Stein

Claudia Stein

Dresden, 1969 (?)

Começou a estudar piano com 5 anos e passou para a flauta aos 11. Foi aluna de Eckart Haupt, o flautista principal da Staatskapelle de Dresden. Aos 23 anos foi escolhida por Daniel Barenboim para integrar a Staatskapelle de Berlim como flautista principal, e atua desde 1999 como mentora na Academia da Orquestra West-Eastern Divan. Os compositores David Robert Coleman, Michael Kleemann, Sebastian Undisz, John Rausek e Gisbert Näther dedicaram obras a ela.

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Elisaveta Blumina

Elizaveta Bljumina, transliteração de Елизавета Блюмина

São Petersburgo, 1968

Ainda criança, estudava para ser bailarina, mas sua altura a impediu de continuar. Estudou música no Conservatório de Leningrado (hoje São Petersburgo) e depois especializou-se em Berna e Hamburgo, tendo sido aluna de grandes pianistas, como András Schiff, Paul Badura-Skoda e Radu Lupu. Desde 2012 dirige o Festival de Música de Câmara de Hamburgo. Em 2014 criou o Festival de Música Judaica em Schönebeck, na Alemanha; no mesmo ano, ganhou o Prêmio Echo-Klassik por seu Ensemble Blumina (com o oboísta Kalev Kuljus e o fagotista Mathias Baier). Se destaca como uma das grandes intérpretes do repertório russo contemporâneo. 

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(1876) RIMSKY-KORSAKOV Quinteto para piano e sopros

Compositor: Nikolaj Rimsky-Korsakov
Número de catálogo: INR 44
Data da composição: 1876
Estréia: 1876 no Conservatório de São Petersburgo

Duração: cerca de 28 minutos
Efetivo: flauta, clarineta, fagote, trompa e piano

Rimsky-Korsakov escreveu este Quinteto para inscrever-se num Concurso de composição de música de câmara. Ele estava com 32 anos e esteve, até dois anos antes, servindo na Marinha Imperial. Então esta obra é parte de um esforço por firmar-se no cenário musical russo daquele momento. O Quinteto não teve boa acolhida por parte dos jurados, que preferiram uma obra do tcheco Eduard Nápravník. O compositor creditava o insucesso ao conjunto que tocou a obra — medíocres, na sua opinião — enquanto Nápravník teve seu Trio executado de maneira impecável. Vale lemrar que Rimsky era o mais jovem membro do chamado Grupo dos Cinco, defensores de um nacionalismo russo musical.

I. Allegro con brio (Rápido com brio) — cerca de 11 minutos
II. Andante (Confortavelmente) — cerca de 10 minutos
III. Rondò: Allegretto (Em ciclo: Quase rápido) - cerca de 9 minutos

O primeiro movimento, de grande vivacidade e temas alegres, é inspirado em Beethoven, ainda que guarde também similitude com a graça elegante de clássicistas como Mozart e Haydn. O movimento lento entra por uma seara totalmente diferente, mais russa e romântica, com a trompa abrindo com um tema bastante melancólico e evocativo. Como se ele avançasse (historicamente) no tempo, o Andante já tem passagens — belíssimas, aliás — que nos remetem a Schubert. O finale se inicia de maneira super bem-humorada, como uma dança que muito lembra Tchaikowsky, embora a atmosfera de colorido mais suave; neste movimento, cada instrumento tem a chance de mostrar-se individualmente.

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(1790) BEETHOVEN Duo para clarineta e fagote n. 1

Compositor: Ludwig van Beethoven
Número de catálogo: WoO 27 n. 1
Data da composição: 1790

Duração: cerca de 9 minutos
Efetivo: clarineta e fagote

Foram 3 Duos escritos para essa formação, entre 1790 e 1792, enquanto Beethoven vivia em Bonn, antes de sua mudança definitiva para Viena, onde estudaria com Haydn a partir de 1792. Essas obras, listadas no WoO (Werke ohne Opuszahl — Obra sem número de Opus) por Georg Kinsky no catálogo-anexo de 1955, hoje são postas em dúvida por alguns especialistas, que questionam a autenticidade: eles acham que a peça pode ter sido simplesmente copiada pelo jovem Beethoven, e não ser exatamente de sua autoria. Como elas se inserem no estilo clássico, muito padronizado e rígido (sem espaço para maiores personalismos), é praticamente impossível afirmar ou negar a autoria da peça. 

I. Allegro comodo (Rápido confortável) — cerca de 4 minutos
II. Larghetto sostenuto (Sem arrastar e sustentado) — cerca de 2 minutos
III. Rondò: Allegretto (Em ciclo: Quase rápido) - cerca de 3 minutos

Os instrumentos dialogam em dois movimentos rápidos interligados por um breve movimento lento que serve de ligação entre um e outro. É sempre bom lembrar que a clarineta era invenção recente e Mozart ainda não tinha escrito o primeiríssimo concerto para esse instrumento, que apareceria no ano seguinte, 1791. O fagote, de sonoridade mais escura, não fica meramente como coadjuvante, dividindo em equilíbrio os temas.

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(1943) PROKOFIEV Sonata para flauta

Compositor: Sergej Prokofiev
Número de catálogo: Opus 94
Data da composição: 1943
Estréia: 7 de dezembro de 1943, em Moscou - por Nicolai Kharkovsky e o pianista Sviatoslav Richter

Duração: cerca de 23 minutos
Efetivo: flauta (ou violino) e piano

— "Por muito tempo o som da flauta me atraiu, e eu tinha a impressão de que foi uma sonoridade pouco explorada na literatura musical. Eu queria que essa sonata tivesse uma sonoridade clássica, de clareza e transparência".  Foi assim que o próprio autor definiu sua inspiração e seu intuito com essa Sonata para flauta, depois transposta, no ano seguinte e com grande sucesso, para o violino, a pedido de David Oistrakh. Ambas as formas permanecem no repertório. São 4 movimentos:

I. Moderato (Moderado) — cerca de 8 minutos
II. Scherzo: Allegretto (Jogo: Quase rápido) — cerca de 5 minutos
III. Andante (Confortavelmente) — cerca de 4 minutos
IV. Allegro con brio (Rápido com brio) — cerca de 7 minutos

A marca inconfundível de Prokofiev — um estilo tão próprio, de melodias ágeis e leves em estruturas densas e quase geométricas, talvez um reflexo do espírito do próprio compositor tentando se encaixar na realidade de então — está presente ao longo dessa engenhosa obra. Prokofiev estava compondo a ópera "Guerra e Paz" e cansado das interferências do governo no projeto; tirou um tempo para passar  o verão em Perm, nos Montes Urais. Durante a estada, escreveu o balé Cinderela para o Teatro Kirov e esta Sonata.

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Trio

Formação camerística que pode tomar inúmeras combinações. São especialmente populares os Trios com piano (em geral, piano, violino e violoncelo), mas os compositores ora colocam um sopro (flauta e clarienta, ou oboé nas obras barrocas), ora combinam apenas as cordas (violino, viola, violoncelo), ora apenas os sopros, podendo incluir algum instrumento do naipe dos metais (como a trompa). No período barroco eram chamados de Trio-sonata, mas no classicismo assumiram apenas o epíteto de Trio.

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(1790) HAYDN Trio com piano n. 30

(1790) HAYDN Trio com piano n. 30

Compositor: Joseph Haydn
Número de catálogo: Hob XV:17 - Opus 73
Data da composição: 1790

Duração: cerca de 16 minutos
Efetivo: flauta (ou violino), violoncelo e piano

Haydn escreveu, ao longo da vida, 42 Trios entre 1766 e 1797, a maioria deles para violino e violoncelo acompanhados do pianoforte (o precursor do piano moderno). Nos mais antigos, até a década de 1780, o instrumento de teclado era o cravo, mas esse repertório migrou naturalmente para as mãos dos pianistas. No caso deste, ele deixa a opção da flauta ao invés do violino, o que confere à obra uma doce sonoridade. Na dedicatória à musicista amadora e amiga Marianne von Genzinger, ele chama a obra de "uma simples bagatela" mas o desenvolvimento da obra a coloca longe de uma pecinha sem importância. 

I. Allegro (Rápido) — cerca de 9 minutos
II. Finale: Tempo di menuetto (Como o passo-miúdo, dança tradicional da corte francesa) — cerca de 6 minutos
Embora conte com apenas dois movimentos, a estrutura é sofisticada (ambos na chamada forma-sonata) e o efeito da combinação dos 3 instrumentos de origem diversa (sopra, corda e corda percutida) é graciosamente encantador.


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