Kirill Petrenko

Kirill Garrievich Petrenko — transliteração de Кирилл Гарриевич Петренко

Omsk, Rússia, 11 de fevereiro de 1972

Filho de um violinista e uma musicóloga, Kirill Petrenko começou a estudar piano ainda criança e deu seu primeiro recital público com 11 anos de idade. Com 18 anos sua família muda-se para Bregenz na Áustria, onde seu pai foi integrar a Orquestra Sinfônica do Estado de Vorarlberg. Ele foi matriculado na Escola de Música de Feldkirch, pequena cidade medieval em Vorarlberg, e concluiu seu curso como pianista de destaque. Depois aperfeiçoou-se como regente na Universidade de Viena, onde teve dentre seus professores Myung-Whun Chung, Edward Downes e Semyon Bychkov. 

Sua estreia foi na Ópera de Vorarlberg em 1995 com uma montagem de "Let's Make an Opera" de Benjamin Britten. De 1997 a 1999 foi kapellmeister da Ópera Popular de Viena. De 1999 a 2002 dirigiu o Teatro de Ópera de Meiningen na Alemanha. De 2002 a 2007 dirigiu a Komische Oper em Berlim. Desde 2013 é o Generalmusikdirektor da Ópera do Estado da Baviera em Munique, com grande sucesso.

Em 2006 ele regeu pela primeira vez a Filarmônica de Berlim. O fez mais outras vezes em 2009 e 2012. Em 2015 a orquestra surpreendeu o mundo ao escolhê-lo para suceder Simon Rattle como seu diretor. A surpresa se devia, não somente por ser um jovem maestro fora das tradicionais listas de apostas — que sempre trazem medalhões como Barenboim, Jansons ou Christian Thielemann; ou jovens incensados pela mídia como Dudamel ou Nézet-Séguin — mas principalmente por se tratar de um regente até então associado à casas de ópera, que nunca assumiu a direção de um conjunto sinfônico. A surpresa pode dissipar-se em poucos acessos aos vídeos que a Filarmônica já gravou com ele: um Beethoven enérgico (e de certa forma num estilo mais denso, diferente do que Rattle e Abbado faziam), um Richard Strauss inebriante e um Tchaikowsky poderoso. Seu mandato à frente da prestigiosíssima orquestra, que acaba de se iniciar em 2018, promete.

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Orquestra Jovem da Alemanha

Nationale Jugendorchester der Bundesrepublik Deutschland
(Orquestra Nacional da Juventude da República Federal da Alemanha)
Bundesjugendorchester (Orquestra Jovem Federal)
BJO

Fundação: 1969
Sede: Haus der Kultur, Bonn

Foi por iniciativa do compositor e regente Volker Wangenheim que surgiu a Orquestra Jovem da Alemanha para alocar os jovens vencedores do Concurso Jugend Musiziert (Juventude faz música). O conjunto recebe cerca de 100 músicos de todas as regiões da Alemanha, com idade entre 14 e 19 anos e tem dentre seus apoiadores a Filarmônica de Berlim, que desde 2013 cria um espaço de diálogo entre seus membros e os jovens aprendizes para seu aperfeiçoamento artístico.

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Wieland Welzel

Wieland Welzel

Lübeck, Alemanha, 24 de dezembro de 1972

Começou pelo piano com cinco anos de idade, e passou para as aulas de percussão com nove anos. Em 1986 ele recebeu o primeiro prêmio no Concurso nacional alemão “Jugend musiziert”. Depois de cinco anos participando da Bundesjugendorchester (a Orquestra Nacional da Juventude Alemã), estudou na Musikhochschule em Lübeck de 1993 a 1997: tímpano com Peter Sewe e percussão com Peter Wulfert.

Em 1997 tornou-se timpanista da Filarmônica de Berlim e seu interesse pelo jazz (ele também toca vibrafone e é baterista) levou-o, junto com quatro de seus colegas, a fundar o Berlin Philharmonic Jazz Group em 1999.

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Concerto para instrumentos de percussão

(1983) KRAFT Concerto para tímpano n. 1

Compositor: Willam Kraft
Data da composição: 1983
Estréia: 9 de março de 1984 — em Indianápolis, com a Sinfônica de Indianápolis, Thomas Akins como solista e John Nelson na regência

Duração: cerca de 26 minutos
Efetivo: tímpano-solista; 1 flauta-piccolo, 2 flauta, 2 oboés, 2 cornes-ingleses, 3 clarinetas, 2 fagotes, 4 trompas, 3 trompetes, 3 trombones, 1 tuba, 6 caixas-claras, 1 tambor, 1 tambor militar, 2 tam-tam, 1 bumbo, 1 triângulo, 1 par de pratos, 4 pares de pratos-suspensos, 1 glockenspiel, 1 xilofone, 1 vibrafone, 3 pares de crótalos, 6 blocos-de-templo, 1 conjunto de sinos de orquestra, 1 pele de couro, 1 piano, 1 celesta, 1 harpa e as cordas (primeiros- e segundos-violinos, violas, violoncelos e contra-baixos)

Um Concerto para tímpano, ou qualquer outro para percussão, costuma ser raridade no repertório. Sendo o próprio Kraft timpanista (atuou como percussionista da Filarmônica de Los Angeles por 26 anos, 18 deles como timpanista principal), seu Concerto n. 1 tornou-se obra fundamental para os timpanistas que querem como solistas. Ao se aposentar, tornou-se regente-assistente da Filarmônica de Los Angeles por 3 anos, e depois foi seu compositor-residente por quatro temporadas. Durante este período, ele compôs esta obra para o solista Thomas Akins por encomenda da Sinfônica de Indianapolis. Usando um conjunto de 5 tímpanos, uma variedade de baquetas e luvas diferentes, tornando surpreendente as possibilidades do instrumento. O segundo movimento é dedicado à mãe de Kraft, que morreu durante sua composição. A orquestra de cordas é sub-dividida em duas, criando um diálogo entre elas e a vasta percussão que trabalha em auxílio aos solos.

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Leonard BERSTEIN

(1960) BERNSTEIN Suite de Danças de "West Side Story"

Symphonic Dances from West Side Story

Compositor: Leonard Bernstein
Data da composição: 1957 / 1960 (re-orquestração)
Estréia: 13 de fevereiro de 1961 no Carnegie Hall em Nova York - Filarmônica de Nova York, regência de Lukas Foss

Efetivo: 2 flautas-piccolo, 2 cornes-ingleses, 1 clarineta, 1 clarineta-baixo, 1 contra-fagote, 1 saxofone-contralto, 4 trompas, 3 trompetes, 3 trombones, 1 tuba, bongôs, pratos suspensos, pratos, caixa-clara, tambor, bumbo, 4 tamborins, 3 sinos de vaca, tambor-timbal, conga, sirene de polícia, vibrafone, xilofone, glockenspiel, carrilhão, bloco de madeira, tam-tam, triângulo, maracas, crótalos (pratinhos-de-dedo), 1 harpa, 1 piano e cordas (primeiros- e segundos-violinos, violas, violoncelos, contra-baixos)
Duração: cerca de 23 minutos

Quando o musical "West Side Story" — a versão atualizada para o universo urbano novaiorquino da tragédia de Romeu e Julieta, — estreou na Broadway em setembro de 1957, Bernstein experimentou como compositor um sucesso incrível. Desde a concepção, embora a versão original seja voltada a um conjunto de teatro musical, o pensamento musical do autor denunciava-se sinfônico, experimentado que era no repertório dos grandes clássicos. A adaptação para grande orquestra feita em 1960, nesta deliciosa Suite de danças, que são encadeadas no baile no qual as gangues se confrontam, traz alguns dos temas mais populares da obra. 

I. Prologue: Allegro moderato (Prólogo: Rápido moderado) — cerca de 4 minutos
Explora o tema da rivalidade entre Jets e Sharks.

II. Somewhere: Adagio (Calmamente) — cerca de 4 minutos
Um breve interlúdio de paz, os rivais bailam em harmonia.

III. Scherzo: Vivace e leggiero (Jogando: Vivo e ligeiro) — cerca de 1 minuto
Ainda no clima de harmonia, os grupos dançam despreocupadamente.

IV. Mambo: Meno presto (Menos corrido) — cerca de 2 minutos e meio 
O famosíssimo Mambo, que permanece como o mais frequente bis da obra de Bernstein, trecho no qual as gangues expressam suas diferenças.

V. Cha-cha: Andantino con grazia (Sem arrastar e com graça) — quase 1 minuto
Atmosfera de encantamento, Tony e Maria se olham pela primeira vez e sentem-se fulminados pelo amor à primeira-vista. O tema, no pizzicato, é o da canção "Maria".

VI. Meeting Scene: Meno mosso (Menos movimentado) — quase 1 minuto
O casal se aproxima, e meio que hipnotizados um pelo outro, balbuciam as primeiras palavras.

VII. Cool Fugue: Allegretto (Quase rápido) — cerca de 4 minutos
Quebrando o clima mágico do casal protagonista, a rivalidade e hostilidade entre os grupos explode outra vez.

VIII. Rumble: Molto allegro (Muito rápido) — cerca de 2 minutos
Violência, briga e confusão.

IX. Finale: Adagio (Calmamente) — cerca de 3 minutos
O encantamento de Maria e Tony tomam conta de tudo, apesar das tragédias que se sucederão.

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Iván Fischer

Fischer Iván

Budapeste, 20 de janeiro de 1951

Nascido numa família musical, é filho do maestro e compositor Sándor Fischer, irmão mais novo do também regente Ádám Fischer e primo do pianista György Fischer. Estudou piano, violino e violoncelo desde menino; no Conservatório Bartók de Budapeste foi treinado também em composição. Mais tarde mudou-se para Viena para aperfeiçoar-se na condução de orquestra com Hans Swarowsky de 1971 a 1974. Em 1975 esteve sob a orientação de Nikolaus Harnoncourt em Salzburg, voltando-se também à música do período barroco. Em 1976 foi catapultado à carreira internacional ao vencer em Londres o Concurso Rupert de regência.

A premiação lhe rendeu o convite para sua estréia como diretor de ópera, em Zurique. Em 1979 foi nomeado diretor da Northern Sinfonia (Newcastle), cargo no qual esteve até 1982. Em 1983 regeu pela primeira vez nos Estados Unidos, a Filarmônica de Los Angeles, e fundou em sua cidade natal a Orquestra do Festival de Budapeste, conjunto que logo angariou fama internacional, tornando-se uma orquestra regular, funcionando durante o ano todo, a partir de 1992. Dentre os muitos postos que assumiu, foi regente-principal da Sinfônica de Cincinnati de 1988 a 1995, diretor da Ópera de Lyon entre 2000 e 2003, diretor musical da Sinfônica Naciobal de Washington de 2008 a 2010. Desde 2012 éo diretor da Konzerthaus de Berlim.

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Rinaldo Alessandrini

Rinaldo Alessandrini

Roma, 25 de janeiro de 1960

Ele atuava num coro amador desde criança quando decidiu dedicar-se ao estudo de piano — relativamente tarde, de certa forma — aos 14 anos. Aos 18 anos decide voltar sua atenção para o estudo do cravo e da música antiga e vai estudar com Ton Koopman. Em 1984 funda o conjunto vocal-instrumental Concerto Italiano e firma-se como um dos melhores regentes das óperas de Monteverdi. Seu trabalho de investigação de repertório trouxe de volta à cena óperas então esquecidas de compositores como o lombardo Francesco Cavalli e o napolitano Leonardo Vinci.

Ele acredita, e esse é o diferencial de suas leituras e interpretações, que independente da origem regional do compositor e da obra, existe uma qualidade expressiva, cantabile, própria da música italiana que permeia e influencia toda a criação musical européia.

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Orquestra de Câmara "Concerto Italiano" (Roma)

Concerto Italiano

Fundação: 1984
Sede: Roma, Itália

Grupo coral-instrumental fundado em 1984 por iniciativa do cravista e regente Rinaldo Alessandrini, buscando a prática historicamente informada de execução musical, teve a princípio seu repertório baseado nas obras corais, vocais e óperas de Monteverdi, Vivaldi, Alessandro Scarlatti, Händel, Bach, Pergolesi e Cavalli. Logo se firmou no cenário internacional como um conjunto de referência para a música coral barroca, mas algumas incursões no repertório puramente instrumental também chamam a atenção, especialmente a gravação feita em 2004 dos Concertos de Brandemburgo de Bach, apontados pela crítica especializada com das melhores já feitas. Nas poucas vezes nas quais Alessandrini e seu conjunto fugiram do repertório Barroco e pré-Barroco, o resultado também foi de grande receptividade, destacando-se o registro das árias de Rossini feitos com a soprano espanhola María Bayo.

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