Suite

O nome indica exatamente aquilo que a peça é: uma seqüência. As Suites Barrocas eram seqüências — também chamadas Ordre, Partita ou Partia, "em partes" — de danças, em um jogo contrastante de encadear-se uma dança rápida após uma lenta, muitas vezes sem mesmo haver tanto em comum entre uma e outra. Como peça mais erudita, surgem as Suites do Barroco tardio, cujo melhor exemplo são as Suites de Bach, para violino, alaúde ou violoncelo e 4 para orquestra, que já não são danças no sentido literal e sim obras de conteúdo altamente elaborado — embora guardem os nomes nos movimentos: Burrée, Sarabande, Gavotte, Allemande, Menuet, todos nomes referentes às primeiras Suites, as francesas.

As Suites perderam a razão de ser com o advento das Sinfonias (na verdade, um desdobramento delas), mas no século XIX ressurge a idéia de seqüência com a necessidade de compilação de trechos selecionados a partir de uma obra maior. Por exemplo, de uma ópera se retiram seus trechos sinfônicos e se arranja uma Suite (como existe a da "Carmen" de Bizet ou das obras de Wagner); o mesmo de um balé, cuja duração pode chegar a 4 horas mas para fins de apresentar a música num concerto se extrai uma Suite com as passagens mais interessantes (como se fez com os 3 grandes balés de Tchaikowsky).

E chamam-se Suites, ainda, uma seqüência de Poemas Sinfônicos, como "Os Planetas" de Holst, ou "Minha Pátria" de Smetana.

© RAFAEL FONSECA
 
(1730) BACH Partita n. 4
(1872) BIZET Suite "Arlesiana"
(1879) SMETANA Suíte "Minha Pátria"
(1884) GRIEG Suite "Holberg"
(1887) RIMSKY-KORSAKOV Capricho Espanhol
(1888) RIMSKY-KORSAKOV Suite "Sheherazade"
(1885) MASSENET Suite "Le Cid"
(1890) LEVY Suite "Brasileira"
(1892) TCHAIKOWSKY Suíte "O Quebra-Nozes"
(1912) RAVEL Suite "Dafne e Cloé" n. 2
(1924) POULENC "Les biches"
(1945) BRITTEN "Interlúdios do Mar"
(1967) SHCHDRIN Suite "Carmen"
(2011) WIDMANN "Flûte en suite"