(1868) BRAHMS Réquiem "Alemão"

Ein deutsches Requiem, nach Worten der heiligen Schrift (Um Réquiem Alemão, com as palavras das Sagradas Escrituras)

Compositor: Johannes Brahms
Número de catálogo: Opus 45
Data da composição: 1865 a maio de 1868
Estréia: 18 de fevereiro de 1869 - Leipzig, Gewandhaus, Carl Reinecke regendo o Coro e a Orquestra da Gewandhaus

Em 1856 Brahms perdia um mestre e amigo, na pessoa de Robert Schumann. Para ajudar à viúva, a grande pianista Clara Schumann, Brahms mudou-se para Düsselfdorf, onde conviveu como tio dos 7 filhos do casal. Nessa época, vivando ainda a culpa de uma paixão por ela, ele anotou um material que usaria mais tarde — neste Réquiem.

Depois, em 1865, Brahms perde sua mãe, que era uma figura predominante em sua vida. Tem início então a composição desta monumental obra de cunho religioso, mas que prescinde do uso da liturgia latina de todo Réquiem æternam (expressão que traduz-se por "descanso eterno"). Brahms foi buscar na Bíblia protestante, na tradução de Lutero, os textos que mais se afinassem à sua dor e à sua idéia de conforto diante da perda. O resultado é uma obra em 7 movimentos de imensa expressividade numa tradição coral que o liga diretamente ao Barroco alemão de Johann Sebastian Bach.

A obra abre com um trecho de Mateus, "Selig sind, die da Leid tragen, denn sie sollen getröstet werden" (Felizes os que choram, pois serão consolados) e segue com um Salmo. O segundo movimento, de grande impacto dramático, usa Pedro com "Denn alles Fleisch, es ist wie Gras" (Pois toda carne é como a erva e toda glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva e as flores já caíram), depois um trechos de Tiago, Pedro e Isaías. O terceiro movimento é solo do barítono. O quarto movimento é o ponto de equilíbrio da obra, o trecho mais lírico do coral, e com certa leveza. No quinto movimento, ainda mais lirismo para o solo da soprano. O sexto movimento volta certa energia dos movimentos inicias, para culminar no sétimo e último movimento com gradiosidade e reflexão introspectiva.

© RAFAEL FONSECA