Compositor: Felix Mendelssohn
Número de catálogo: Opus 40 / MWV O 11
Data da composição: 1837
Data da composição: 1837
Estréia: 21 de setembro de 1837, por ele próprio ao piano, no Triennial Festival em Birmingham, quando também se apresentou o oratório Paulus
Duração: cerca de 25 minutos
Efetivo: piano-solista; 2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetes, 2 fagotes, 2 trompas, 2 trompetes, tímpanos e cordas (primeiros e segundos violinos, violas, violoncelos e contrabaixos)
Mendelssohn tinha 28 anos em 1837 e passava por um momento pessoal muito feliz: o Concerto foi escrito logo após seu casamento com Cécile Jeanrenaud, em março de 1837. Isso tudo em meio a compromissos intensos como regente e compositor, incluindo a preparação do Oratório Paulus para apresentação no Festival de Birmingham. Apesar do contexto “de lua de mel”, o concerto é tem um caráter mais dramático e menos brilhante que o Concerto anterior, o que leva à ideia de uma espécie de contraponto irônico ao período feliz.
Robert Schumann, em sua Revista crítica, na Neue Zeitschrift für Musik, julgou a obra como “mais passageira” (flüchtigeres Produkt), observando que Mendelssohn não exige do pianista nenhuma destreza inédita, reutilizando procedimentos pianísticos que os solistas já conheciam. Essa crítica de Schumann ajudou a fixar a ideia de que o Concerto n. 2 é menor, que lhe falta um caráter revolucionário, sobretudo se confrontado a outras obras concertantes da época. Em relatos posteriores, Cécile Mendelssohn teria dito que nunca se cansava de ouvir o finale, o que atesta a recepção calorosa no círculo doméstico.
I. Allegro appassionato
(Rápido, apaixonadamente) — cerca de 9 minutos
As ideias se apresentam de forma muito compacta: depois de uma abertura tensa, contida, o piano dispara numa espécie de destravamento, propondo diálogos fortes com a orquestra. Há um clima sério, o piano não se comporta exatamente como um acrobata exibicionista, e sim como o protagonista que provoca a orquestra, com um discurso enfático. Se o Primeiro Concerto tem um brilho juvenil quase impaciente, este tem algo mais concentrado: um fervor controlado, típico de quem já sabe exatamente o efeito que quer produzir.
II. Adagio: Molto sostenuto
(Calmamente: Muito sustentado) — cerca de 7 minutos
Trecho que nasce diretamente do final do movimento anterior, sem pausa. Depois da agitação, a música se retira para um espaço interiorizado, quase devocional, um clima de oração e meditação. É chover no molhado, mas esse movimento lento tem a atmosfera das Lieder ohne Worte (Canções sem palavras) por sua linha melódica simples, facilmente cantada por uma voz humana. É um canto sobre um fundo suave, cheio de serenidade.
III. Finale: Presto scherzando
(Final: Rápidíssimo em jogo de brincadeira) — cerca de 6 minutos
Praticamente sem pausa, o finale vem como um impulso rítmico imediato: o salto de energia é como se se abrisse a cortina para um baile. O caráter brincalhão é o dos famosos Scherzi de Mendelssohn, leves, ágeis e feéricos. Aqui temos o lado mais feliz e civilizado de Mendelssohn, nada da grandiloquência heroica de colegas como Liszt; é uma alegria rápida, elegante, direta.
© RAFAEL FONSECA
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