Compositor: Felix Mendelssohn
Número de catálogo: Opus 25 / MWV N 7
Data da composição: concebido entre 1830 e 1831, durante a viagem italiana; concluído em Munique em 1831
Data da composição: concebido entre 1830 e 1831, durante a viagem italiana; concluído em Munique em 1831
Estréia: 17 de outubro de 1831, no Odeon de Munique, com o compositor ao piano
Duração: cerca de 20 minutos
Efetivo: piano-solista; 2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetes, 2 fagotes, 2 trompas, 2 trompetes, tímpanos, cordas (primeiros e segundos violinos, violas, violoncelos e contrabaixos)
O título de Primeiro Concerto para piano pede, desde logo, um esclarecimento. Mendelssohn já havia escrito outros Concertos para o instrumento em sua adolescência, dentro do ambiente doméstico e musicalíssimo da família. Este ocupa outro lugar. Ele é o primeiro Concerto para piano da maturidade, o primeiro a entrar de fato na vida pública, o primeiro a circular como obra de um jovem mestre que já se apresentava diante da Europa não só como compositor prodigioso, como também como virtuose de primeira ordem.
A circunstância biográfica ajuda a dar cor a essa estreia pública. Na etapa final de seu Grand Tour, Mendelssohn volta a parar em Munique para cumprir uma promessa e rever Delphine von Schauroth, jovem aristocrata e pianista extraordinária por quem se encantara na passagem anterior. Os dois passavam longas manhãs ao piano, tocando duetos e convivendo entre o flerte, a amizade e a música. Foi nesse ambiente que o Concerto, rascunhado durante a viagem, tomou a forma decisiva. A dedicatória a Delphine conserva essa origem na própria página da obra.
O resultado tem algo de imediatamente revelador. A orquestra mal se instala e o piano já entra em cena, como se Mendelssohn quisesse poupar toda cerimônia desnecessária e ir direto ao assunto. Também os três movimentos seguem ligados uns aos outros, de modo que o Concerto inteiro parece pensado como um único arco. Há brilho de virtuose, sem dúvida, embora submetido a uma inteligência formal raríssima. O jovem pianista quer impressionar, ao mesmo tempo que sua faceta de compositor quer construir uma arquitetura sólida.
O próprio Mendelssohn gostava de dizer que escrevera o Concerto em poucos dias e quase sem querer. A frase tem o charme despreocupado da juventude. A partitura, por sua vez, revela outra coisa: trabalho amadurecido, mão firme, e o senso exato de proporção. A aparência de facilidade engana, como tantas vezes em Mendelssohn. Tudo corre com naturalidade e extremo rigor.
A estreia em Munique foi um sucesso estrondoso, e o concerto logo seguiu para uma carreira europeia muito viva, especialmente em Londres. Não é difícil entender a razão. Há nele tudo o que o público da época podia desejar de um jovem pianista-compositor: fogo, elegância, invenção, comunicação imediata. Ao mesmo tempo, já se percebe a marca pessoal de Mendelssohn: concisão, clareza e uma aversão muito nítida a qualquer excesso espalhafatoso.
I. Molto allegro con fuoco
(Muito rápido, com fogo) — cerca de 7 minutos
O Concerto abre com uma espécie de brilho impaciente. Depois de poucos compassos, o piano irrompe com energia. A sensação é de urgência, de juventude em estado de ebulição. Mendelssohn concentra aqui o prazer do virtuosismo, e o faz de maneira muito inteligente: o piano cintila desde o início, embora a música nunca se reduza à pura exibição. Mesmo nas passagens mais brilhantes, tudo permanece claro e elegante.
II. Andante
(Passo de caminhada) — cerca de 6 minutos
Depois do início inflamável, o segundo movimento é recolhimento. O piano deixa de ser um atleta e vira um cantor. O efeito lembra diretamente o universo das Canções sem palavras: a melodia parece nascer da intimidade, contida, confidencial. Isso ajuda a perceber uma dimensão mais pessoal da obra. O Mendelssohn apaixonado aparece, falando baixo, fiel ao seu temperamento reservado. Um sentimento que vem filtrado por bom gosto, discrição.
III. Presto — Molto allegro e vivace
(Rápidíssimo — Muito rápido e vivaz) — cerca de 7 minutos
O finale traz de volta o brilho do começo, agora leve e celebratório. As notas parecem voar. Há uma leveza que faz a dificuldade técnica parecer simples. Apesar de sua vertigem encantadora, o plano é complexo: o Concerto inteiro reaparece, condensado, como se Mendelssohn quisesse fechar todos as ideias abertas. A construção é impecável. É impressionante a combinação de fogo, elegância e comunicabilidade. É por isso que o Primeiro Concerto continua parecendo jovem.
© RAFAEL FONSECA
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