(1725) VIVALDI O Embate entre a Harmonia e a Invenção

Il cimento dell'armonia e dell'inventione

Compositor: Antonio Lucio Vivaldi
Número de catálogo: Opus 8
Data da composição: entre 1718 e 1723 — publicados em 1725
 

Publicada em 1725, a coletânea Il cimento dell'armonia e dell'inventione (O Embate entre a Harmonia e a Invenção) de Vivaldi é uma das mais importantes de todo o Barroco. Embora seja mundialmente famosa pelos 4 primeiros concertos, As Quatro Estações, a coleção completa de 12 concertos revela um Vivaldi em pleno domínio de sua arte, explorando os limites da forma do Concerto e de sua expressão musical. Aqui, vou tratar dos 8 concertos restantes, sobre As Quatro Estações eu tratei em um verbete separado; embora menos conhecidos, esses 8 são um tesouro de criatividade, virtuosismo e invenção.
 
Assim como As Quatro Estações, os concertos 5 a 12 foram dedicados ao Conde Wenzel von Morzin e publicados em Amsterdam por Michel-Charles Le Cène. O título da coleção — O Embate entre a Harmonia e a Invenção — continua a ser o fio condutor: a "harmonia" representa a estrutura e a ordem do concerto, enquanto a "invenção" é a liberdade criativa, a imaginação. E se, em As Quatro Estações, a invenção se manifesta na descrição detalhada da natureza, nos concertos restantes ela assume outras formas: a pintura de afetos, a exploração de humores e a pura celebração do virtuosismo.

Três desses 8 concertos também possuem títulos, funcionando como etiquetas afetivas que guiam a audição. O n. 5, La tempesta di mare (A Tempestade no Mar), e o n. 10, La caccia (A Caça), são, como as Estações, exemplos de música descritiva. Já o n. 6, Il piacere (O Prazer), sugere um estado de espírito, um afeto a ser explorado musicalmente. Os demais, sem título, são exemplos do concerto vivaldiano em sua forma mais pura e abstrata, mas não menos inventiva.

 
Concertos ns. 1 a 4, As Quatro Estações: ver aqui.


Concerto n. 5, La Tempesta di Mare 
A Tempestade no Mar
Número de catálogo: Opus 8 n. 5 / RV 253
Duração: cerca de 8 minutos

I. Presto — II. Largo — III. Presto
(Muito rápido — Devagar — Muito rápido)
Um dos concertos mais dramáticos de Vivaldi. Os movimentos rápidos são uma pintura sonora da fúria do mar, com arpejos e escalas que evocam as ondas e os ventos. O violino solista luta contra a orquestra, como um navio em meio à tempestade. O Largo central é um momento de calmaria, uma pausa de rara beleza antes que a tormenta retorne com força total no trecho final.
 
Não é o único Concerto que recebeu de Vivaldi esse título, no Opus 10 encontra-se um Concerto com a mesma ideia e tendo a flauta como solista. 

Concerto n. 6, 
Il piacere
O Prazer
Número de catálogo: Opus 8 n. 6 / RV 180
Duração: cerca de 8 minutos

I. Allegro — II. Largo cantabile — III. Allegro
(Rápido — Devagar e cantável — Rápido)
Obra de caráter jubiloso e hedonista. O virtuosismo do violino solo celebra o puro prazer de fazer música. Os movimentos rápidos são brilhantes e cheios de energia, enquanto o Largo central, com sua melodia lírica e expressiva, sugere um prazer mais contemplativo e sensual.
 
Concerto n. 7
Número de catálogo: Opus 8 n. 7 / RV 242
Duração: cerca de 7 minutos

I. Allegro — II. Largo — III. Allegro
(Rápido — Devagar — Rápido)
Aqui, o tom é sério e dramático, explorando o afeto patético, do pathos emotivo. A escrita é densa, com um diálogo intenso entre o solista e a orquestra, cheio de saltos e sobressaltos e sequências imitativas.
 
Foi dedicado ao violinista Johann Georg Pisendel, aluno de Vivaldi e primeiro-violino na Corte de Dresden; Pisendel foi a ponte para que a musicalidade de Vivaldi influenciasse Telemann e outros germânicos. 

Concerto n. 8
Número de catálogo: Opus 8 n. 8 / RV 332
Duração: cerca de 9 minutos
 
I. Allegro — II. Largo — III. Allegro
(Rápido — Devagar — Rápido)
Marcado por uma energia contagiante, com ritmos muito intensos no primeiro movimento. O movimento central é de uma simplicidade encantadora, um momento de lirismo puro, antes de um finale enérgico, com caráter dançante.

Concerto n. 9
Número de catálogo: Opus 8 n. 9 / RV 236
Duração: cerca de 7 minutos
 
I. Allegro — II. Largo — III. Allegro
(Rápido — Devagar — Rápido)
Embora o menos explorado da série, este Concerto é um exemplo da maestria de Vivaldi na forma . Segue a estrutura tripartite padrão, com um diálogo fascinante entre o virtuosismo do solista e a força da orquestra.

Concerto n. 10, La caccia
A Caça
Número de catálogo: Opus 8 n. 10 / RV 362
Duração: cerca de 7 minutos
 
I. Allegro — II. Adagio — III. Allegro
(Rápido — Calmamente — Rápido)
Outro Concerto descritivo, que evoca as fanfarras e a agitação de uma cena de caça. O violino imita o som das trompas, e os ritmos pontuados sugerem o galope dos cavalos e o latido dos cães. O Adagio central funciona como uma pausa contemplativa em meio à ação.

Concerto n. 11
Número de catálogo: Opus 8 n. 11 / RV 210
Duração: cerca de 11 minutos
 
I.  Allegro — II. Largo — III. Allegro
(Rápido — Devagar — Rápido)
Um que se destaca pelo brilho técnico e pela elegância. É um exemplo do estilo cosmopolita de Vivaldi, com uma clareza formal e um virtuosismo que antecipam o Classicismo. O movimento central é  quase uma ária para o violino, que canta como na ópera.
 
Concerto n. 12
Número de catálogo: Opus 8 n. 12 / RV 178
Duração: cerca de 9 minutos

I.  Allegro — II. Largo — III. Allegro
(Rápido — Devagar — Rápido)
Encerrando a coleção, com um caráter afirmativo e luminoso. É uma celebração do "embate" entre harmonia e invenção com uma nota de triunfo e brilhantismo.

O Opus 8 é um microcosmo do universo de Vivaldi. Nele, encontramos o compositor descritivo, o investigador de possibilidades, o poeta e o mestre absoluto da forma do concerto. Ouvir a coleção completa é ir além da fama de As Quatro Estações e descobrir a profundidade e a variedade de um dos maiores gênios da música barroca.




© RAFAEL FONSECA



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