(1880) BRUCH Kol Nidrei

 Adagio nach hebräischen Melodien für Violoncello mit Orchester und Harfe
(Adagio sobre Melodias Hebraicas para Violoncelo e Orquestra com Harpa)
 
Kol Nidrei (Todos os votos)
 
Compositor: Max Bruch
Número de catálogo: Opus 47
Data da composição: 1880
Estréia: 1881, em Liverpool — Robert Hausmann como solista e regência do autor

Duração: cerca de 10 minutos
Efetivo: 1 violoncelo solista;
Efetivo: 2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetas, 2 fagotes, 4 trompas, 2 trompetes, 3 trombones, tímpanos, harpa e as cordas (primeiros-violinos, segundos-violinos, violas, violoncelos e contra-baixos)


Junto ao seu Primeiro Concerto para violino, o Kol Nidrei é a outra obra mais conhecida de Max Bruch. Trata-se de uma peça de imensa força espiritual, que mostra a maestria do compositor em criar uma atmosfera de profunda introspecção e lirismo.

Bruch, que era protestante, sempre teve um profundo interesse pela música folclórica e por melodias tradicionais de diversas culturas. No caso do Kol Nidrei, ele mergulhou no universo da música litúrgica judaica. A obra é baseada em duas melodias hebraicas. A primeira, que dá nome à peça, é a melodia solene entoada nas sinagogas na véspera do Yom Kippur, o Dia do Perdão. É importante notar que o Kol Nidrei não é uma oração, mas uma declaração de caráter jurídico-religioso, em aramaico, que anula os votos e promessas feitos a Deus ao longo do ano. Bruch teve contato com essa tradição através do cantor Abraham Jacob Lichtenstein, em Berlim, e ficou fascinado pela beleza e pelo peso emocional da melodia.

A segunda melodia utilizada por Bruch vem de um poema de Lord Byron, "Oh Weep for Those", musicado por Isaac Nathan. A combinação desses dois temas resulta em uma peça de grande contraste, que vai do lamento solene a um canto de esperança e consolo.

Originalmente intitulada "Adagio sobre Melodias Hebraicas para Violoncelo e Orquestra com Harpa", a obra foi dedicada ao violoncelista Robert Hausmann, que a estreou. O papel do violoncelo é central: ele atua como a voz do cantor na sinagoga, um solista que narra uma história de fé, arrependimento e transcendência. A orquestra, com a presença marcante da harpa, cria um ambiente quase sagrado, uma moldura sonora que amplifica a voz do violoncelo.

A imensa popularidade da obra teve uma consequência inesperada e trágica: muitos passaram a acreditar que Bruch era judeu, o que levou ao banimento não-oficial de sua música durante o regime nazista, ou seja: não entrou nas listas da arte degenerada mas essa obra acabou evitada, até mesmo por conta do tema.  
 
Assim como aconteceu com o Concerto para violino, o sucesso do Kol Nidrei também incomodava Bruch, que via o resto de sua vasta produção ser ofuscada por essas duas peças.

O Kol Nidrei é dividido em duas partes. A primeira é uma meditação profunda sobre o tema principal, com o violoncelo em um registro grave, quase como um murmúrio. A segunda parte é mais luminosa e expansiva, onde a segunda melodia se desdobra em um canto lírico e apaixonado, antes de a obra retornar à atmosfera introspectiva do início, terminando em um sussurro de paz.

© RAFAEL FONSECA

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