(1918) RAVEL Amanhecer do palhaço

Alborada del gracioso

Compositor: Maurice Ravel
Número de catálogo: M 43-b
Data da composição: 1905 (na versão para piano); 1918

Estréia: 17 de maio de 1919 no Cirque d'Hiver em Paris — René-Emmanuel Baton regendo a Orchestre Pasdeloup

Duração: cerca de 8 minutos
Efetivo: 1 flauta-piccolo, 2 flautas, 2 oboés, 1 corne-inglês, 2 clarinetas, 2 fagotes, 1 contra-fagote, 4 trompas, 2 trompetes, 3 trombones, 1 tuba, crótalos, pratos, triângulo, tamborim basco, caixa-clara, bumbo, castanholas, xilofone, 2 harpas, as cordas (primeiros- e segundos-violinos, violas, violoncelos e contra-baixos)

A tradução mais acurada para o título seria "A canção do amanhecer do velho conquistador ridículo", já que Ravel buscou inspiração nos personagens bufões que aparecem com freqüência nas comédias de Calderón de La Barca e Lope de Vega — "Gracioso" do título original era a gíria para os senhores de idade avançada que investem energia inútil na conquista de jovens mocinhas. 

Apareceu primeiro como um dos movimentos da Suíte para piano "Miroirs" (Espelhos) e foi mais tarde orquestrada pelo próprio compositor. A indicação de tempo é Assez vif (Muito vivo) e os temas eletrizantes nos reportam a uma agitação tipicamente espanhola, o estado de espírito que toma de assalto o velho conquistador ao encantar-se por uma jovem. Segue-se uma frase central mais triste, quase dolorosa, aqui o retrato cruel do ridículo esforço do "Gracioso" ao fazer uma serenata para o objeto de sua paixão. A orquestra reproduz o dedilhar de um violão em clima de soturno torpor. A agitação volta a dominar a peça — o escárnio público do ancião idiota? — e a conclusão da obra se dá com certa violência, talvez a abrupta desistência do velho não por consciência do próprio comportamento patético, mas seu ímpeto em esperar pela próxima conquista. 

© RAFAEL FONSECA

A versão orquestral:


A primeira versão, para piano:

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