(1888) RIMSKY-KORSAKOV "Scheherazade"

Шехерaзада
(transliterado: Shekherazada)

Compositor: Nikolai Rimsky-Korsakov
Número de catálogo: Opus 35
Data da composição: 1888
Estréia: 3 de novembro de 1888, em São Petersburgo — regência de Rimsky-Korsakov

Duração: cerca de 50 minutos
Efetivo: 3 flautas (duas alternando com flauta-piccolo), 2 oboés (um alternando com corne-inglês), 2 clarinetas, 2 fagotes, 4 trompas, 2 trompetes, 3 trombones, 1 tuba, tímpano, 1 bumbo, gongo, pratos, triângulo, 1 harpa, as cordas (primeiros-violinos, segundos-violinos, violas, violoncelos e contra-baixos)

Rimsky-Korsakov teve a idéia de escrever uma peça sobre a lenda das "Mil e Uma Noites" enquanto trabalhava na finalização e retoques na Ópera "Príncipe Ígor" de seu amigo Borodin. Esta partitura de sons luxuriantes tornou-se a obra mais conhecida do compositor e garantiu-lhe fama internacional imediata. O próprio Rimsky mandou anexar à partitura um breve explicativo: 

"O Sultão Shahriar, persuadido da perfídia e da infidelidade das mulheres, jurou mandar matar cada uma de suas esposas após a primeira noite. Mas a Sultana Shéhérazade conseguiu salvar-se cativando-o com suas histórias, que lhe contou durante mil e uma noites. Tomado pela curiosidade, o Sultão adiava diariamente a execução de sua nova esposa, acabando por cancelar a punição. Shéhérazade contou-lhe inúmeras maravilhas, citando versos de poetas e textos de canções, e embutindo as histórias umas nas outras".

São 4 movimentos e seus títulos explicam um pouco das intenções do autor:

I. Море и Синдбадов корабль
Largo e maestoso — Allegro non troppo
[More i Sindbadov korabl'] (O Mar e o navio de Simbad: Bem lento e majestoso — Rápido mas não tanto)
O tema inicial, assustador, apresenta o Sultão e Sheherazade. O solo de violino, que irá perpassar toda a obra, é Sheherazade e seu o recurso de sempre deixar um pouco da história para depois. Tempestade no Mar, Simbad está em perigo. 

II. Рассказ царевича Календера: Lento — Andantino — Allegro molto — Con moto
[Rasskaz carevicha Kalendera] (A Narrativa do Príncipe Kalender: Lento — Sem arrastar — Muito rápido — Com movimento)
O solo de violino dá a dica que uma nova história vai começar, a do Príncipe Kalender que se disfarça de mendigo e procura por sabedoria. Seu tema melancólico aparece pela primeira vez nos sopros, para em seguida, com a entrada das cordas em andamento mais acelerado, o Príncipe sai em sua jornada. O tema do sultão retorna, em atmosfera nervosa e oscilante, e num episódio posterior os sopros tocam vibrantemente tendo as cordas em pizzicato: é a poderosa ave de Simbad, o Roc. (Como se pode perceber, as histórias não se completam e se entremeiam, afinal, se Sheherazade chegar a concluir alguma, morre). 

III. Царевич и царевна: 
Andantino quasi allegretto — Pochissimo più mosso — Come prima — Pochissimo più animato
[Carevich i carevna] (O Prínicipe e a Princesa: Sem arrastar, quase rápido com moderação — Um pouco mais movimentado — Como antes — Um pouco mais movimentado)
O Príncipe e a Princesa será certamente alguma história de amor, num palácio oriental; o príncipe aparece como um tema sensual nas cordas, e a princesa na bela melodia de flauta.

IV. Багдадский празд­ник. Море. Корабль разбивается о скалу с мед­ным всадником:
Allegro molto — Vivo — Allegro non troppo maestoso
[Bagdadskij prazd­nik. More. Korabl' razbivaetsja o skalu s med­nym vsadnikom]
(A Festa em Bagdá. O Mar. O naufrágio do Navio nas rochas: Muito rápido — Vivo — Rápido mas não tanto e majestoso)
No início do quarto movimento temos o sultão com um humor péssimmo, e Scheherazade tenta acalmá-lo, descrevendo as maravilhas de uma Festa em Bagdá. Ela também volta ao mar (sobre Simbad), onde tudo piorou. Os metais quase que berram, os sopros sobem e descem em escalas, e a música atinge um clímax maciço, encimado por uma dissonância assustadora, representando o navio batendo rochas e afundando. A tempestade se acalma, e, finalmente, os temas de Sheherazade (violino solo) e do Sultão se misturam, ela está salva. 
© RAFAEL FONSECA

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