L'Estro armonico
Compositor: Antonio Lucio Vivaldi
Número de catálogo: Opus 3
Data da composição: 1700 a 1710 — publicados em 1711
Data da composição: 1700 a 1710 — publicados em 1711
Estréia: não há registros
Duração: entre 1 hora e meia a duas horas de duração; cada Concerto tem cerca de 9 minutos
Efetivo: 1 ou mais violinos-solistas, cordas e baixo-contínuo (usualmente, o cravo)
Vivaldi, na prática, estabeleceu o que era um Concerto. E foi com esta coleção, publicada em Amsterdam em 1711, que ele mudaria para sempre a história da música europeia.
O Opus 3 foi a primeira publicação de Vivaldi fora da Itália. E foi, também, a primeira vez que um compositor italiano confiou sua obra a um editor estrangeiro. Essa decisão teve consequências profundas. A coleção se espalhou pela Europa, como nenhuma obra italiana havia alcançado antes, influenciando gerações de compositores — começando, de forma imediata, com Johann Sebastian Bach.
Além da importância histórica, temos uma trajetória que inclui negócio comercial, tecnologia, mecenato e estratégia artística. Vivaldi era um compositor que, aos 33 anos, estava pronto para mostrar ao mundo o que havia aprendido em mais de uma década de experimentação com a forma do Concerto.
Vivaldi já havia publicado antes: seu Opus 1 (com 12 Trio Sonatas) foi lançado em 1705 em Veneza, com o editor Giuseppe Sala. Já o Opus 2 (com 12 Sonatas para Violino) foi publicada em 1709, também em Veneza, com Antonio Bortoli. Ambas as edições usavam o método tradicional de tipos móveis — aqueles pequenos blocos de metal com letras gravadas que eram montados manualmente para formar as páginas. Àquela altura, essa tecnologia era obsoleta. Os tipos móveis produziam partituras que eram difíceis de ler, com linhas irregulares e notas que pareciam imprecisas. Havia uma alternativa: a gravura em placas de cobre. Essa técnica, muito mais trabalhosa, produzia partituras com uma clareza e uma precisão superiores.
Estienne Roger era o editor que dominava essa técnica, um huguenote normando que havia emigrado para Amsterdam após a revogação do Édito de Nantes em 1685. Roger havia começado a trabalhar como editor musical em 1698 e, ao longo dos anos, havia se tornado o editor mais importante de música da Europa, com agentes comerciais em Paris, Londres, Bruxelas, Colônia, Dresden, Leipzig e Berlim. Quando uma obra era publicada por Roger em Amsterdam, era a garantia de que ela seria conhecida em toda a Europa.
Vivaldi sabia disso. E em 1711, quando estava pronto para apresentar sua grande coleção de concertos ao mundo, ele escolheu Roger.
Mas como funcionava, na prática, esse envio de manuscritos entre Veneza e Amsterdam? A viagem de correspondência entre as duas cidades levava entre três e quatro semanas, nas rotas comerciais estabelecidas: navios venezianos transportavam mercadorias para os Países Baixos regularmente, e nesses mesmos navios viajavam cartas, pacotes e documentos. Roger, em Amsterdam, recebia o pacote, verificava a qualidade da música, decidia se valia a pena publicar, e em caso afirmativo, iniciava o processo de gravura em cobre. Tudo isso por correspondência, sem a necessidade (na época, quase inviável) do encontro pessoal. Roger tinha interesse comercial em receber música de qualidade, e quanto melhor a música, mais cópias ele vendia, mais ele e o compositor lucravam.
A publicação traz a dedicatória: Consacrati all'Altezza Reale di Ferdinando III, Gran Principe di Toscana (Consagrados à Alteza Real de Ferdinando III, Grão-Príncipe da Toscana). Ferdinando era o filho primogênito de Cosimo III, Grão-Duque da Toscana. Príncipe de nascimento, e também um músico genuíno. Exímio cravista, cantor, e tocava vários instrumentos de cordas. Sua atividade artística havia transformado Florença em um importante centro musical, convidando compositores como Scarlatti, e Händel. Ele havia financiado os experimentos de Bartolomeo Cristofori que levaram à invenção do fortepiano — o instrumento que se tornaria o piano moderno. Dedicar essa obra mais importante a um dos mecenas musicais mais poderosos da Itália era uma jogada estratégica, buscando ampliar suas conexões além de Veneza, e Ferdinando era exatamente o tipo de patrono que poderia abrir portas em toda a Itália.
A coleção foi um sucesso comercial imediato. Houve mais de vinte reimpressões nos trinta e dois anos seguintes. Foi reimpressa também por John Walsh em Londres, sob o título Vivaldi's most Celebrated Concertos. Depois por Le Clerc Cadet, em Paris, com o ridículo título distorcido de Les Troharmonico.
A influência que essa Coletânea exerceu foi imensa, a mais importante daquele período. Em julho de 1713, o jovem Príncipe Johann Ernst de Saxe-Weimar retornou de Utrecht, onde havia passado dois anos estudando. É provável que tenha trazido ou encomendado partituras de concertos adquiridas em Amsterdam — provavelmente incluindo a coleção recém-publicada do Estro Armonico. Essas partituras chegaram às mãos de um jovem compositor que estava trabalhando em Weimar: Johann Sebastian Bach.
Bach ficou fascinado. Entre 1713 e 1714, transcreveu seis dos concertos de Vivaldi para instrumentos de teclado: cravo e órgão. Cada transcrição era uma reinterpretação: Bach copiava a música, mas na adaptação para um novo instrumento, ele adicionava complexidades harmônicas, alterava texturas. Era Bach aprendendo como Vivaldi construía seus concertos, como organizava seus ritornellos (aqueles temas que retornam periodicamente para amarrar a música). Estava aprendendo como criar o diálogo entre instrumentos, como manter a atenção do ouvinte através do contraste e da variedade. Mais tarde, quando Bach compôs seus próprios Concertos, a influência de Vivaldi era clara.
O Estro Armonico consiste em 12 concertos, organizados em quatro grupos de 3. Em cada grupo, o primeiro Concerto é para 4 violinos solistas, o segundo é para 2 violinos solistas, e o terceiro é para um único violino solista. Parece que Vivaldi estava pensando em como essa coleção seria usada. Existe aqui uma razão comercial, também. Se você comprasse a coleção completa e a tocasse do início ao fim, experimentaria uma variedade impressionante de texturas, de combinações de instrumentos, de atmosferas musicais. Essa variedade garantia que a coleção tivesse apelo tanto para grandes conjuntos quanto para formações menores.
Concerto n. 1
Número de catálogo: Opus 3 n. 1 / RV 549
Duração: cerca de 9 minutos
Efetivo: 4 violinos-solistas, cordas e baixo-contínuo
Abrindo a coleção, temos desde o início a capacidade de Vivaldi em escrever para múltiplos solistas com variedade e brilho. Este é provavelmente um dos mais antigos do ciclo.I. Allegro — II. Largo e spiccato — III. Allegro(Rápido — Devagar e reforçado — Rápido)Os quatro violinos solistas dialogam entre si com entradas que se entrelaçam em imitação rápida, criando um tecido sonoro denso e vibrante. Uma conversa contínua onde cada violino responde ao outro, numa dança de vozes que mantém o ouvinte atento e envolvido. O movimento lento traz uma mudança de caráter marcante: a técnica do spiccato (o toque de arco saltado que confere pontuação e clareza) confere ao movimento um caráter solene e majestoso. O terceiro movimento evoca o ritmo de uma giga (dança barroca) encerrando o concerto com energia festiva e dançante.
Concerto n. 2
Número de catálogo: Opus 3 n. 2 / RV 578
Duração: cerca de 10 minutos
Efetivo: 2 violinos-solistas, 1 violoncelo-solista, cordas e baixo-contínuo
Este Concerto segue um esquema mais antigo, aquele que Corelli havia estabelecido, o do Concerto Grosso. São quatro movimentos, ao invés dos três que se espera em Vivaldi. Potencialmente, é o mais antigo de toda a coleção.I. Adagio e spiccato — II. Allegro — III. Larghetto — IV. Allegro(Com calma e reforçado — Rápido — Quase devagar — Rápido)A abertura é teatral e dramática. Acordes pontuados se alternam com os dois violinos solistas, criando uma atmosfera sombria e intensa. Se parece com o início de "O Inverno" das Quatro Estações, aquela mesma tensão, aquele mesmo clima de tempestade iminente. O formato aqui é muito próximo ao Concerto Grosso romano, com o concertino de dois violinos e violoncelo contrastando com o tutti orquestral. No segundo movimento, a energia aumenta, os solistas ganham protagonismo, enquanto a orquestra fornece o suporte. O terceiro movimento será um breve retorno à contemplação, preparando o ouvido para o que vem a seguir: o quarto movimento que encerra a obra rapidamente.
Concerto n. 3
Número de catálogo: Opus 3 n. 3 / RV 310
Duração: cerca de 8 minutos
Efetivo: 1 violino-solistas, 1 violoncelo-solista, cordas e baixo-contínuo
O primeiro dos quatro concertos para violino-solo da coleção. Aqui, Vivaldi claramente se via como protagonista, trazendolirismo e drama que até então pertenciam ao palco de ópera. O violino não é mais um instrumento entre outros, ele é o centro de tudo.I. Allegro — II. Largo — III. Allegro(Rápido — Devagar — Rápido)Um motivo alegre abre o ritornello, aquele sistema de retorno, algo que sempre volta. O violino solo oferece ecos e sequências, respondendo ao que a orquestra apresenta. Um diálogo elegante, onde o solista nunca domina completamente, mas também nunca desaparece. No segundo movimento temos um forte contraste com o primeiro. Arabescos no violino solo, sustentados por acordes orquestrais desolados, como se o compositor pedisse uma execução com toda a beleza que um violinista pode extrair do instrumento. O terceiro movimento é todo agitação e movimento, desde o início. Efeitos de eco com o solista exibindo virtuosismo em notas rápidas, mostrando sua capacidade técnica.
Bach, fascinado por este concerto, o transcreveria para cravo (BWV 978), não apenas transpondo-o mas adicionando mais linhas contrapontísticas à textura original.
Concerto n. 4
Número de catálogo: Opus 3 n. 4 / RV 550
Duração: cerca de 10 minutos
Efetivo: 4 violino-solistas, cordas e baixo-contínuo
Concerto n. 5Outro Concerto à antiga maneira de Corelli, com quatro movimentos ao invés de três. Vivaldi provavelmente o reescreveu para obter o número necessário de peças com quatro solistas na coleção.I. Andante — Allegro assai — III. Adagio — IV. Allegro(Passo tranquilo — Rápido — Com calma — Rápido)A introdução é de caráter meditativo e delicado, os quatro violinos entrando em imitação. Não há a urgência de outros movimentos; aqui tudo flui com elegância e contenção. No movimento seguinte, temos o coração virtuosístico da obra: os quatro violinos mostram sua capacidade técnica em passagens rápidas e brilhantes, a energia explode. Segue-se um movimento lento, que na verdade é um breve movimento de transição, servindo como ponte para o que vem a seguir; brevíssimo, mas essencial para o equilíbrio formal. O finale tem caráter dançante, colocando o conjunto em festa: os quatro solistas dialogam num ritmo cada vez mais excitante, todos expondo suas ideias, mas no fim todos terminam juntos, em comunhão.
Número de catálogo: Opus 3 n. 5 / RV 519
Duração: cerca de 9 minutos
Efetivo: 2 violino-solistas, 1 violoncelo-solista, cordas e baixo-contínuo
Este é o Concerto mais popular de toda a coleção, aquele que todos conhecem, aquele que define o que é um Concerto vivaldiano para muitas pessoas.
I. Allegro — II. Largo — III. Allegro
(Rápido — Devagar — Rápido)
Começando com um uníssono, executado de maneira elevada e majestosa, Vivaldi impõe um fogo e vigor inconfundíveis. Os dois violinos solistas dialogam em imitação como se disputassem espaço, enquanto o tutti orquestral fornece as molduras do ritornello. As notas rápidas não param, criando um efeito hipnotizante. O movimento seguinte é a repetição delicada de acordes no acompanhamento, enquanto os solistas dialogam acima, uma página de grande beleza, onde a clareza estética nos remete a um classicismo que demoraria ainda décadas para aparecer. Já no terceiro, de novo temos o esquema do Concerto Grosso, com os solistas se desprendendo da orquestra e retornando. O diálogo entre eles é bastante rico e variado, sempre entrecortados pelos tutti das cordas.Este Concerto foi o que teve mais cópias manuscritas em seu tempo, mais que qualquer outro da coleção. Händel citou o motivo de abertura do primeiro movimento na ária Tho' the honours do oratório Theodora, de 1750. Também foi arranjado para cravo por Johan Agrell por volta de 1767.
Concerto n. 6
Número de catálogo: Opus 3 n. 6 / RV 356
Duração: cerca de 8 minutos
Efetivo: 1 violino-solista, cordas e baixo-contínuo
O Concerto para um único solista mais refinado da coleção.I. Allegro — II. Largo — III. Presto(Rápido — Devagar — Muito rápido)O primeiro movimento estabelece o caráter da obra: elegante, refinada, mas sempre com aquela vitalidade que caracteriza Vivaldi. O violino solista é o centro, mas nunca está completamente isolado da orquestra. No segundo movimento temos o violino solo tecendo linhas de grande lirismo. Vivaldi indicava a decoração elaborada nos movimentos lentos de seus Concertos para violino solo, com ornamentações explícitas, e não deixadas ao improviso do executante (como era a praxe na época). Isto é importante: o compositor estava controlando cada detalhe da expressão musical. O finale é breve e enérgico, uma explosão de virtuosismo, encerrando com energia e brilho.O Concerto n. 6 ocupa um lugar especial na pedagogia moderna, sendo peça obrigatória no Método Suzuki (Livro 4). Gerações de crianças aprenderam a tocar através dele.
Concerto n. 7
Número de catálogo: Opus 3 n. 7 / RV 567
Duração: cerca de 11 minutos
Efetivo: 4 violinos-solistas, 1 violoncelo-solista, cordas e baixo-contínuo
Aqui temos o Concerto mais evidentemente reescrito da coleção. Mostra todos os sinais de ter se originado como um Concerto Grosso com dois violinos em destaque, que Vivaldi retrabalhou para adaptar a este conjunto, no qual cada sub-grupamento se inicia com um Concerto com 4 violinos solistas.I. Andante — II. Adagio — III. Allegro — Adagio — IV. Allegro(Passo tranquilo — Com calma — Rápido, depois com calma — Rápido)O início é de caráter meditativo, os quatro violinos entrando em imitação, como uma oração. Depois, há um breve momento ainda mais reflexivo (o segundo movimento). O terceiro movimento é atípico mas antecipa um expediente que Haydn e Mozart iriam explorar com frequência: ele começa rápido, mas há uma mudança abrupta, uma frase lenta inserida dentro do terceiro movimento, criando a estrutura inusitada. É Vivaldi experimentando com a forma, testando os limites do que era possível fazer. O último movimento é um Minueto no estilo francês.
Concerto n. 8
Número de catálogo: Opus 3 n. 8 / RV 522
Duração: cerca de 11 minutos
Efetivo: 2 violinos-solistas, cordas e baixo-contínuo
O único Concerto para dois violinos sem o violoncelo obrigatório como terceiro solista; assim, os dois violinos fluem de forma mais independente, criando uma textura mais leve, mais ágil.I. Allegro — II. Larghetto e spiritoso — III. Allegro(Rápido — Quase devagar e espirituosamente — Rápido)Começa com um magnífico ritornello de abertura, a orquestra se apresentando desde o início, e dela brotam os 2 solistas. Os dois violinos solo dialogam em imitação enérgica, enquanto o tutti orquestral fornece o ritornello. A conversa se dá em função do fluxo melódico, convidativo e poderoso. No segundo movimento, temos uma página reflexiva de grande beleza:os violinos se repetem, cada um à sua vez, numa quase oração que é ecoada pelo restante da orquestra, criando uma atmosfera de grande delicadeza. A indicação spiritoso (espirituoso) pede execução expressiva e animada, não meramente contemplativa. E no finale, de novo temos de volta o esquema do Concerto Grosso, com os solistas se desprendendo da orquestra, em um diálogo bastante rico e variado, sempre entrecortados pelo tutti das cordas.Outro Concerto que Bach transformou em peça virtuosística, dessa vez para órgão (BWV 593). Bach utiliza os dois teclados manuais do órgão para recriar o diálogo entre os dois violinos solistas, e a pedaleira para o acompanhamento.
Concerto n. 9
Número de catálogo: Opus 3 n. 9 / RV 230
Duração: cerca de 9 minutos
Efetivo: 1 violino-solista, cordas e baixo-contínuo
Assim como o número 3, um dos mais refinados da coleção.I. Allegro — II. Larghetto — III. Allegro(Rápido — Quase devagar — Rápido)O primeiro movimento estabelece um caráter elegante e refinado e o violino solista dialoga com a orquestra de forma equilibrada. O movimento sdeguinte é notável por suas ornamentações elaboradas, com grande lirismo. O movimento final retorna à energia e ao virtuosismo, encerrando com brilho celebratório.Outro que Bach transcreveu para cravo (BWV 593).
Concerto n. 10
Número de catálogo: Opus 3 n. 10 / RV 580
Duração: cerca de 9 minutos
Efetivo: 4 violinos-solistas, 1 violoncelo-solista, cordas e baixo-contínuo
Conhecidíssimo, graças, em parte, à transcrição que Bach faria para 4 cravos-solistas. Mas em verdade, é um Concerto fascinante e riquíssimo do ponto de vista da linguagem concertante empregada.I. Allegro — II. Largo — Larghetto — Adagio — Largo — III. Allegro(Rápido — Devagar, depois quase devagar, depois com calma, e devagar de novo — Rápido)A introdução, feita pelos 4 violinistas em fuga, que são perseguidos de perto pelo restante do conjunto, é de uma força impressionante. Vivaldi demonstra toda a sua maestria em promover a ideia de concertar, do diálogo entre os instrumentos, e da verve de suas melodias tão radiantes. Aqui o violoncelo-solista tem participação menos importante, ficando os 4 violinos-solistas como proprietários indiscutíveis do discurso sonoro. No segundo movimento, extraordinário, temos quatro seções com mudanças de tempo. A escrita para os quatro solistas é notável: Vivaldi sobrepõe frases, muda o ritmo, oferecendo uma página de grande sofisticação. O Concerto termina — e porque não dizer assim? — em festa. Será mantida a rica conversa entre os solistas, num ritmo cada vez mais excitante. O crescendo em turbilhão é de tirar o fôlego.
Bach o transcreveu para 4 cravos e orquestra de cordas (BWV 1065), sendo a mais monumental das transcrições de Vivaldi que ele realizou. Diferentemente das outras transcrições, esta foi realizada posteriormente, no período de Leipzig, na década de 1730, e não em Weimar. É uma das obras mais executadas do catálogo de Bach para múltiplos teclados.
Concerto n. 11
Número de catálogo: Opus 3 n. 11 / RV 565
Duração: cerca de 9 minutos
Efetivo: 2 violinos-solistas, 1 violoncelo-solista, cordas e baixo-contínuo
Um concerto bastante original, que já demonstra sua verve logo na introdução, puxada pelos violinos solistas num interessante jogo de eco e fuga. Este é o concerto que mais gerou comentários e imitações no século XVIII.I. Allegro — Adagio e spiccato — Allegro — II. Siciliano: Largo e spiccato — III. Allegro(Rápido, depois com calma e reforçado, depois volta a ser rápido — À maneira siciliana: Devagar e reforçado — Rápido)A abertura dramática começa com um cânone (repetição) entre os dois violinos solistas, seguido de um breve Adagio que conduz a uma fuga completa introduzida pelo violoncelo solo. O diálogo entre os três solistas é fascinante. Um clima algo marcial perpassa o concerto como um todo, com muitas atmosferas diferentes. O segundo movimento tem atmosfera solene e meditativa, da introdução feita pelo conjunto sai a frase reflexiva do primeiro-violino, tendo como fundo a pontuação ritmada (spiccato) que mantém o suspense do trecho, até desaguar-se numa conclusão onde a melodia do solista se integra às outras cordas e se perde. A indicação Siciliano pede execução muito simples, na imitação de uma dança pastoril siciliana. O finale é muito vivaz desde o início, onde novamente o violoncelo é lembrado como solista a dialogar com os dois violinos principais. A maneira como conversam, trazendo a luz italiana inconfundível, para rapidamente cerrarem suas frases uma à outra e, amalgamando-se às cordas do conjunto, concluírem em uníssono.
Bach o transformou em peça virtuosística para órgão (BWV 596). Além disso, os temas de abertura do último movimento foram tomados emprestados por Bach para o primeiro movimento coral de sua Cantata BWV 21 de 1714.
Concerto n. 12
Número de catálogo: Opus 3 n. 12 / RV 265
Duração: cerca de 8 minutos
Efetivo: 1 violino-solista, cordas e baixo-contínuo
Para encerrar a coleção, o Concerto estilisticamente mais avançado, junto com o n. 11, o mais moderno e ousado do pensamento formal de Vivaldi neste período.I. Allegro — II. Largo e spiccato — III. Allegro(Rápido — Devagar e reforçado — Rápido)O primeiro movimento é elegante, refinado, tendo o violino solista como o centro, dialogando com a orquestra. O movimento lento coloca o violino solo em uma frase de grande lirismo, em uma atmosfera de contemplação. O movimento final volta à ênfase no virtuosismo, no brilho do solista.
Bach também o transformou em peça para cravo (BWV 976).