Ludwig van BEETHOVEN

Ludwig van Beethoven
     
Bonn, 17 de dezembro de 1770 — Viena, 26 de março de 1827
     
Catálogos: Opus 1 - 138 (Lista feita em vida pelo próprio compositor)
Catálogos: WoO 1 - 205 (Organizado por Georg Kinsky em 1955 com as obras que não estão na lista de Opus)
Catálogos: H 1 - 335 (Organizado por Willy Hess em 1957 com as obras não incluídas por Kinsky, contemplando fragmentos, obras incompletas, cadenzas e arranjos)

Um gênio transformador, inconformado com a realidade de seu tempo, catalisador de todas as mudanças sociais ocorridas na Europa depois da Revolução Francesa. Beethoven soube, como nenhum outro, traduzir os “novos tempos” em sua música, colocando-se como ponta-de-lança para romper com as bases tão rígidas do Classicismo e, por sua força e personalidade, dar ele mesmo o tom do movimento subseqüente: o Romantismo. Sua música embute um poder único, e seu efeito é sempre avassalador. Todas as gerações posteriores haveriam de ser devedoras de seu estilo e teriam como inspiração máxima o seu legado de 9 Sinfonias.

Nascido em Bonn, à época uma cidade obediente ao Eleitorado-Arcebispado de Colônia, ele iria migrar para Viena, a capital do Império, em 1792, meses depois da morte de Mozart. O Conde Waldstein, amigo e patrono, profetizava: — "Das mãos de Haydn, receberás o espírito de Mozart". Além do grande Haydn, estudou com Salieri, Schuppanzigh e Albrechtsberger.

Escreveu suas primeiras Sinfonias no estilo do mestre Haydn, embora fique evidente que acomodava-se mal na fôrma do Classicismo. A Terceira Sinfonia, dita "Heróica", daria o ponta-pé em direção ao Romantismo e a Quinta e a Sexta mergulhariam no novo estilo, num caminho sem volta. Sem pendão para o histrionismo da ópera (cujo único exemplar será seu "Fidelio"), focou sua energia na música sinfônica. Suas 9 Sinfonias serão o paradigma do gênero, para o Romantismo e além.

Seus Concertos para piano começam buscando a perfeição estética alcançada por Mozart, mas logo ele encontraria — a partir do Terceiro — um discurso mais condizente com sua vulcânica personalidade, o que irá se refletir também no Concerto para violino e no Triplo (para piano, violino e violoncelo). O Quarto e o Quinto Concertos para piano fundam a linguagem Romântica para este gênero e irão nortear todos os compositores do século XIX, de Liszt e Schumann a Brahms e Tchaikowsky.

O mesmo caminho percorrem suas Sonatas para piano (32) e Quartetos de cordas (16), mas vão ainda mais além. As Sonatas primeiras flagram um Beethoven espelhando-se em Mozart e as últimas apontam para sonoridades que só apareceriam um século depois (como a antecipação de Debussy e do Impressionismo na n. 14 ou a frase de sabor jazzistico da n. 32). Os Quartetos vão do modelo Haydniano nos primeiros à música mais ousada e dissonante nos últimos, surpreendendo ainda mais que nas Sonatas.

A grande coroação de sua obra se dá por meio de duas obras vocais sublimes, a Nona Sinfonia e a Missa Solene (esta menos apresentada do que mereceria), obras poderosíssimas, de apelo espiritual transcendente.

O legado de Beethoven faria sombra ao jovem Brahms (que evitou escrever Sinfonias até a maturidade dos 40), aguçaria um Wagner (que pretendia ser o herdeiro único de sua musicalidade) e traria uma mudança no gosto estético das platéias, antes super-atentas às óperas mas depois dele cada vez mais afeitas ao repertório sinfônico.

© RAFAEL FONSECA

Catálogo de Opus:

Op. 12 - Sonatas para violino ns. 1, 2 e 3
Op. 13 - Sonata n. 8 "Patética"
Op. 15 - Concerto para piano n. 1
Op. 19 - Concerto para piano n. 2
Op. 21 - Sinfonia n. 1
Op. 24 - Sonata para violino n. 5 "Primavera"
Op. 36 - Sinfonia n. 2
Op. 37 - Concerto para piano n. 3
Op. 47 - Sonata para violino n. 9 "Kreutzer"
Op. 53 - Sonata n. 21 "Waldstein"
Op. 55 - Sinfonia n. 3 "Heróica"
Op. 56 - Concerto Triplo
Op. 58 - Concerto para piano n. 4
Op. 60 - Sinfonia n. 4
Op. 61 - Concerto para violino
Op. 62 - Abertura "Coriolano"
Op. 67 - Sinfonia n. 5
Op. 68 - Sinfonia n. 6 "Pastoral"
Op. 72-a - Abertura "Leonore" n. 2
Op. 72-b - Abertura "Leonore" n. 3
Op. 73 - Concerto para piano n. 5 "Imperador"
Op. 84 - Música de cena para "Egmont"
Op. 92 - Sinfonia n. 7
Op. 93 - Sinfonia n. 8
Op. 110 - Sonata n. 31
Op. 111 - Sonata n. 32
Op. 123 - Missa Solene
Op. 125 - Sinfonia n. 9
 
   
Obras em ordem cronológica:

(1787) Concerto para piano n. 2
(1795) Concerto para piano n. 1
(1798) Sonatas para violino ns. 1, 2 e 3
(1798) Sonata n. 8 "Patética"
(1800) Sinfonia n. 1
(1800) Concerto para piano n. 3
(1801) Sonata para violino n. 5 "Primavera"
(1802) Sinfonia n. 2
(1803) Sonata para violino n. 9 "Kreutzer"
(1804) Sonata n. 21 "Waldstein"
(1804) Sinfonia n. 3 "Heróica"
(1804) Concerto Triplo
(1805) Abertura "Leonore" n. 2
(1806) Sinfonia n. 4
(1806) Abertura "Leonore" n. 3
(1806) Concerto para piano n. 4
(1806) Concerto para violino
(1807) Abertura "Coriolano"
(1808) Sinfonia n. 5
(1808) Sinfonia n. 6 "Pastoral"
(1809) Concerto para piano n. 5 "Imperador"
(1810) Música de cena para "Egmont"
(1812) Sinfonia n. 7
(1812) Sinfonia n. 8
(1821) Sonata n. 31
(1822) Sonata n. 32
(1823) Missa Solene
(1824) Sinfonia n. 9