(1826) MENDELSSOHN Abertura "Sonhos de uma Noite de Verão"

Ein Sommernachtstraum

Compositor: Felix Mendelssohn-Bartholdy
Número de catálogo: Opus 21
Data da composição: de 8 de julho a 6 de agosto de 1826
Estréia: 20 de fevereiro de 1827 — em Estetino (hoje Szczecin na Polônia, mas à época era Stettin, parte do Reino da Prússia), regência de Carl Loewe

Duração: cerca de 12 minutos
Efetivo: 2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetas, 2 fagotes, 2 trompas, 2 trompetes, 1 oficleide (precursor do saxofone), tímpanos, e as cordas (primeiros-violinos, segundos-violinos, violas, violoncelos, contra-baixos)

Mendelssohn cresceu num ambiente intelectual privilegiado; ele e a irmã, Fanny, eram espantosos talentos musicais na infância. A outra irmã, Rebecca, adorava investigar línguas e lia grego no original. Eles foram educados em inglês, francês e alemão e o interesse pela literatura na casa era imenso. Foi assim que a peça de Shakespeare "A Midsummer Night's Dream" caiu no gosto dos jovens, ávidos pelas peripécias fantásticas de fadas e elfos descritas no texto. 

A partitura foi escrita em menos de um mês, aos 17 anos de idade! Não se sabe se Mendelssohn teve acesso à música de Weber estreada no mesmo ano, "Oberon"; mas o fato é que, além da temática ser a mesma — o rei Oberon de Weber, das lendas medievais, é o mesmíssimo abordado no texto shakespeariano que encantou Mendelssohn — a música guarda muitas características em comum. Claro que ambas as aberturas são originais, originalíssimas, e não se está fazendo aqui a defesa de um provável plágio, mas que uma parece citação da outra, isso é indubitável. Basta ouvir. A indicação de tempo é:

Allegro di molto (Muito rápido)

A maestria com a qual um compositor tão jovem conseguiu tirar partido das sonoridades da orquestra e criar o universo de contos-de-fadas é surpreendente. E nisso ele é muito mais eficiente que Weber ao descrever a atmosfera encantada. O que impressiona é a filigrana no tratamento da orquestração, cheia de detalhes e grande poder evocativo. Ainda que chamada Abertura, é perfeitamente precursor da idéia do poema sinfônico que seria criado por Liszt, no sentido de dar resumo musical à ação dramática pré-existente. 

Essa Abertura — ainda como simples Abertura de Concerto — estreou pelas mãos do famoso Carl Loewe em Stettin, e Mendelssohn havia acabado de completar dezoito anos e foi sua primeira aparição pública como músico. Após a Abertura, juntos eles tocaram o Concerto para dois pianos do próprio autor, sozinho Mendelssohn tocou a parte solista de uma peça concertante para piano e orquestra de Weber e depois do intervalo Mendelssohn sentou-se na fileira dos primeiros violinos para a execução da Nona de Beethoven... Que dia!

Dezesseis anos depois, em 1842, ele conseguiria um feito incrível: já maduro, mas mantendo a mesma jovialidade da partitura, escreveu mais 14 trechos musicais que seguidos à Abertura integrariam a "música de cena" (ou, na linguagem moderna, trilha-sonora) da peça de Shakespeare. Dentre esses números está a famosíssima Marcha Nupcial, uma das músicas mais conhecidas do autor.

© RAFAEL FONSECA

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