(1886) SAINT-SAËNS O Carnaval dos animais

Le carnaval des animaux, Grande fantaisie zoologique

Compositor: Camille Saint-Saëns
Número de catálogo: não tem
Data da composição: 1886
Estréia: 9 de março de 1886, em Paris, trechos em audição privada na casa da Pauline Viardot;
Estréia: 25 de fevereiro de 1922, em Paris nos Concertos Mardi-Gras, sob direção de Gabriel Pierné

Duração: cerca de 20 minutos
Efetivo: 2 pianos, 1 flauta-piccolo, 1 flauta, 1 clarineta, 1 glockenspiel, 1 xilofone, 1 harmonium ou celesta e as cordas (primeiros- e segundos-violinos, violas, violoncelos, contra-baixos)

Saint-Saëns nunca quis que esta obra viesse a público, primeiro para não pegar a pecha de compositor de música fácil, e também porque a obra está cheia de paródias de música de colegas seus. Na primeiríssima audição, feita na casa da famosa cantora Pauline Viardot, Liszt estava presente e elogiou ao autor a bem-humorada orquestração. A estréia pública só veio acontecer 36 anos depois, um ano após a morte do compositor. São 14 trechos:

I. Introduction et Marche royale du lion: Andante maestoso — Allegro non troppo
(Passo de caminhada majestosamente — Rápido sem exagero) — cerca de 2 minutos
Introdução e Marcha Real do Leão. Os dois pianos reproduzem, mejestosamente, o rugido do leão; as cordas contribuem para o efeito.

II. Poules et Coqs: Allegro moderato
(Rápido mas moderado) — cerca de 1 minuto
Galinhas e galos. Um trecho de perfeição imitativa: a clarineta, os dois pianos, e violino e viola lembram não só o som das galinhas reais como da célebre peça para cravo de Rameau, "A Galinha".

III. Hémiones, ou Animaux véloces: Presto furioso
(Furiosamente acelerado) — cerca de 30 segundos
Burros selvagens do Tibet, ou Animais velozes. Um piano persegue o outro com uma oitava de distância, sem nunca alcançar, numa escala desenfreada!

IV. Tortues: Andante maestoso
(A passo de caminhada majestoso) — cerca de 2 minutos
Tartarugas. As cordas tocam o famoso Can-Can da Ópera "Orfeu no Inferno" de Offenbach num andamento muito mais lento que o original, criando um efeito cômico único. 

V. L'Éléphant: Allegretto pomposo
(Quase rápido e pomposo) — cerca de 1 minuto e meio
O Elefante. Outra paródia: O desajeitado contra-baixo reproduz em andamento elefantino as melodias da "Dança das Sílfides" da Ópera "A Danação de Fausto" de Berlioz e do Scherzo de "Sonhos de uma Noite de Verão" de Mendelssohn.

VI. Kangourous: Moderato
(Moderado) — cerca de 1 minuto
Cangurus. Os dois pianos brincam como se a música saltitasse. Alguns quiseram ouvir aqui um discreto comentário irônico com a música de Schumann...

VII. Aquarium: Andantino
(Sem arrastar) — cerca de 2 minutos e meio
Aquário. Os teclados e a flauta criam um efeito mágico que reproduz a água, o balé dos peixes, numa atmosfera cintilante, quase surrealista.

VIII. Personnages à longues oreilles: Tempo ad libitum
(Tempo à escolha dos intérpretes) — pouco menos de 1 minuto
Personagens de orelhas longas. Evoca o castigo das crianças na escola, nas quais se colocavam orelhas de burro. Sons de violino imitam o zurrar do animal, e a atmosfera sugere a vergonha infantil.

IX. Le Coucou au fond des bois: Andante
(Passo de caminhada) — cerca de 2 minutos e meio
O cuco no fundo do bosque. Sobre acordes lentos do piano, a clarineta repete 21 vezes o chamado do cuco, um pouco como um relógio.

X. Volière: Moderato grazioso
(Moderado e gracioso) — pouco mais que 1 minuto
Viveiro. A flauta imita a revoada limitada de pássaros dentro de um viveiro.

XI. Pianistes: Allegro moderato
(Moderadamente rápido) — cerca de 1 minuto e meio
Pianistas. Uma troça com os pianistas jovens. A partitura pede que os dois pianos toquem como se iniciantes fossem. 

XII. Fossiles: Allegro ridicolo
(Rápido e zombeteiro) — pouco mais que 1 minuto
Fósseis. Citações da Dança Macabra de Liszt, de uma ária de Mozart, e outra de Rossini são entremeadas nesse trecho delicioso, uma verdadeira dança como se os ossos dispostos nos museus criassem vida. 

XIII. Le Cygne: Andantino grazioso
(Sem arrastar, graciosamente) — cerca de 3 minutos
O Cisne. Os dois pianos reproduzem o suave ondular da água enquanto o violoncelo traça com elegância o nado de um cisne. Esse trecho ficou famosíssimo e ficou conhecido do público muito antes da peça toda estrear. "Uma nobre bobagem", dizia o autor.

XIV. Finale: Molto allegro
(Muito rápido) — cerca de 2 minutos
Final. Os temas são revisitados, como um desfile dos bichos em festa.

© RAFAEL FONSECA

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