Recomposed by Max Richter: Vivaldi, The Four Seasons
(Recomposto por Max Richter: As Quatro Estações de Vivaldi)
Compositor: Max Richter
Número de catálogo: não tem
Data da composição: 2011/2012
Estréia: 31 de outubro de 2012 — Barbican, Londres, com a Britten Sinfonia regida por André de Ridder e Daniel Hope no violino solo
Duração: 44 minutos
Efetivo: 1 violino solista; cordas (primeiros-violinos, segundos-violinos, violas, violoncelos, contra-baixos) e 1 cravo e 1 sintetizador eletrônico fazendo as vezes de baixo-contínuo
(Recomposto por Max Richter: As Quatro Estações de Vivaldi)
Compositor: Max Richter
Número de catálogo: não tem
Data da composição: 2011/2012
Estréia: 31 de outubro de 2012 — Barbican, Londres, com a Britten Sinfonia regida por André de Ridder e Daniel Hope no violino solo
Duração: 44 minutos
Efetivo: 1 violino solista; cordas (primeiros-violinos, segundos-violinos, violas, violoncelos, contra-baixos) e 1 cravo e 1 sintetizador eletrônico fazendo as vezes de baixo-contínuo
Uma genial "re-composição" na qual Richter usa algumas passagens da ultra-célebre obra de Vivaldi — o ciclo de 4 Concertos para violino intitulado "As Quatro Estações", a obra clássica mais popular do século XX — e as coloca através de um prisma que resulta numa música minimalista, fragmentária, mas que nos remete ao encantamento barroco do original via ecos cíclicos, ressonâncias e temas facilmente reconhecíveis.
Segundo o autor, ele utilizou apenas 25% da partitura original em sua re-criação, e temos um efeito surpreendente: sabemos estar diante de uma obra totalmente nova, e ao mesmo tempo ouvimos Vivaldi como que à distância.
Segundo o autor, ele utilizou apenas 25% da partitura original em sua re-criação, e temos um efeito surpreendente: sabemos estar diante de uma obra totalmente nova, e ao mesmo tempo ouvimos Vivaldi como que à distância.
A obra se tornaria um fenômeno cultural. Mais do que um simples arranjo ou remix, é uma desconstrução e reconstrução radical da partitura mais famosa da história da música, um diálogo entre o século XVIII e o XXI que gerou aclamação e controvérsia, e que, inegavelmente, abriu as portas da música clássica para uma nova geração de ouvintes.
O ponto de partida de Richter foi uma relação de amor e saturação com a obra original. Como ele mesmo descreveu em entrevistas, a onipresença de As Quatro Estações em shoppings, propagandas, salas de espera... isso o levou a uma tentativa de reconquistar a obra, de se apaixonar por ela novamente. O método para isso foi drástico: Richter afirma ter descartado cerca de 75% do material original de Vivaldi, usando os 25% restantes como matéria-prima para sua nova composição. O resultado é uma obra híbrida, onde melodias e ritmos facilmente identificáveis de Vivaldi emergem e submergem em paisagens sonoras minimalistas, com texturas eletrônicas e harmonias que pertencem inequivocamente ao nosso tempo.
O minimalismo está presente na repetição de pequenos fragmentos) e o faseamento, para criar grooves hipnóticos a partir de motivos de Vivaldi. O exemplo mais radical é Spring 1, onde o famoso tema de abertura da Primavera é transformado em um eco pulsante. Ele também re-harmoniza melodias, fragmenta e reordena temas. O resultado é uma experiência auditiva na qual dse tem, lado a lado, reconhecimento e surpresa, com o que nos é familiar se junta ao estranho de maneira encantadora.
A recepção da obra foi carregada de polêmica. Parte da crítica a celebrou como uma necessária lufada de ar fresco, um exemplo de como o diálogo entre o passado e o presente pode ser criativo e relevante. Outros a viram como uma profanação, uma simplificação que destrói a complexidade e a intenção original de Vivaldi. Independentemente da opinião, o impacto cultural de Recomposed é inegável. E o público? Bem, a obra se tornou um dos maiores sucessos comerciais da música clássica contemporânea, provando que é possível, sim, reabrir a conversa com os grandes mestres do passado.
© RAFAEL FONSECA