Abertura de Concerto

Desde as primeiras óperas, aparecidas no início do século XVII, o recurso de uma abertura instrumental para chamar a atenção da platéia (ou prepará-la) para o começo do espetáculo dava-se por meio da chamada "Abertura" ou "Sinfonia".

No final do século XVIII e início do XIX houve uma mudança social que fez nascer a platéia pagante (já que antes toda a produção musical era destinada à nobreza ou à Igreja), e com isso os conjuntos sinfônicos passaram a pensar uma temporada de concertos, levando os primeiros diretores de orquestra (os Kapellmeister) a conceber uma noite de apresentação musical (ou “concerto” como chamamos hoje) como uma seqüência coerente de obras para o agrado dos pagantes. Foi aí que as Aberturas começaram a aparecer nos programas, independente das óperas às quais precediam; e acabaram por dar origem à Sinfonia clássica, vindo para completar um programa musical ao lado de um Concerto para piano e uma peça sacra, por exemplo. Mas as Sinfonias cresceram nas mãos de Haydn, tornando-se mais complexas e longas, e a necessidade das peças orquestrais de curta duração continuou.

Como decorrência, os compositores, já no século XIX, passaram a escrever “Aberturas”, não como a parte inicial de uma grande obra, mas como uma obra independente que poderá aparecer junto a qualquer outra peça sinfônica; seria a Abertura da própria apresentação musical da orquestra, a "Abertura de Concerto".

© RAFAEL FONSECA
 
(1805) BEETHOVEN Abertura "Leonore" n. 2
(1806) BEETHOVEN Abertura "Leonore" n. 3
(1807) BEETHOVEN Abertura "Coriolano"
(1810) BEETHOVEN Abertura "Egmont"
(1826) MENDELSSOHN Abertura "Sonhos de uma Noite de Verão"
(1869) TCHAIKOWSKY Abertura-Fantasia "Romeu e Julieta"
(1880) BRAHMS Abertura "Festival Acadêmico"
(1880) BRAHMS Abertura "Trágica"
(1888) RIMSKY-KORSAKOV Abertura "A Grande Páscoa Russa"
(2008) WIDMANN Abertura "Con brio"