(1740) BACH Variações "Goldberg"

Clavier Ubung bestehend in einer Aria mit verschiedenen Verænderungen. (Exercício para o teclado consistindo em uma Ária e diversas variacões)

Compositor: Johann Sebastian Bach
Número de catálogo: BWV 988
Data da composição: 1740
Estréia: [?] provavelmente Johann Gottlieb Goldberg, 1741

A obra é um grande exercício de virtuosismo para solistas de teclado (à época de Bach, o cravo), e assim foi encarada até o século XIX, vista por muitos como um trabalho árduo e difícil. Com a publicação de uma biografia de Bach, escrita por Johann Forkel, onde uma história relativa à obra aparece, deu-se início a um maior interesse pela peça, que com o passar do tempo, acabou incorporada ao repertório dos pianistas.

Segundo Forkel, Bach teria escrito a peça por encomenda do Conde Keyserlingk, diplomata russo, que era freqüentemente acometido de insônia. Numa passagem por Leipzig, ele ― que era Embaixador na Saxônia ― pediu a Bach uma peça que pudesse ser tocada durante as noites de padecimento. Keyserlingk tinha como músico-de-câmara o talentosíssimo Johann Gottlieb Goldberg, jovem polonês de 14 anos, aluno de Bach e de seu filho mais velho, Wilhelm Friedemann Bach; teria sido para ele tocar que Bach escrevera as famosas Variações. Parte dos pesquisadores acham a história fantasiosa. Goldberg seria jovem demais para uma peça tão complexa? Por outro lado, sua fama como virtuoso do cravo era enorme. Um fato que reforça a idéia da romantização da história é que não há nenhuma dedicatória, nem a Goldberg nem a Keyserlingk. Eu, pessoalmente, acredito na possibilidade das Variações terem sido escritas um ano antes, 1740, junto com o "Cravo bem Temperado", e cedidas a Gottlieb para os recitais noturnos na ante-câmara de Keyserlingk...

As "Goldberg" estruturam-se com uma Ária (o tema) seguida de 30 variações, finalizando com a mesma Ária novamente (o que confere à obra um caráter cíclico). As variações foram pensadas por Bach de forma bastante original, apoiando-se nas notas do acompanhamento da Ária, mais que na melodia propriamente dita. No todo, criam uma sólida estrutura musical e seu viés intelectual, provocado pelas relações matemáticas entre a Ária e cada uma de suas variações, além da profundidade dramática alcançada em sua audição, tornam essa obra fascinante.

© RAFAEL FONSECA