Joseph HAYDN

Franz Joseph Haydn
Franciscus Josephus Haydn (no registro batismal)

Rohrau, Áustria, 31 de março de 1732 — Viena, 31 de maio de 1809

Catálogos: Hob ("Hoboken-Verzeichnis", organizado em 23 gêneros por Anthony van Hoboken em 1957, em substituição ao catálogo Opus organizado em vida pelo compositor, falho e incompleto)

O Classicismo foi um período curto, que poderíamos arbitrá-lo da morte de Bach em 1750 à sacudida sinfônica dada por Beethoven a partir de 1800; são, portanto, 50 anos nos quais 3 sub-movimentos se seguiram: o Rococó (transição do Barroco ao Clássico), o Clássico propriamente dito, e o "Sturm und Drang" (Tempestade e ímpeto, que preparou o terreno para o subseqüente Romantismo). E neles, a grande figura, o ícone máximo foi Haydn. Ainda que tenhamos de lembrar que Mozart foi o mais genial deste período, Haydn é mesmo o grande compositor clássico, aquele que firmou a Sinfonia e o Quarteto de cordas e cuja obra serviu de modelo para as gerações futuras. O maior testemunho desta importância foi seu jovem pupilo de 1792 a 1800, aquele que faria a Sinfonia ultrapassar a ópera como veículo de expressão das emoções para o homem Romântico: Ludwig van Beethoven.

Haydn, que nunca utilizou seu primeiro nome "Franz", nasceu num vilarejo da Baixa Áustria e foi menino-cantor na Igreja local e aos 8 anos já estava no Coral da Catedral Imperial de Santo Estevão em Viena. Quanto sua voz mudou, ele poderia ter se perdido artisticamente, como acontecia a inúmeros adolescentes, mas seu empenho em escrever música foi tornando seu nome conhecido até que em 1761, pouco antes de completar 30 anos, sua sorte foi abraçada pela família Esterházy, nobre húngaros de grande relevância e poder no Império Habsburg. Fosse no Palácio da família em Viena, no grande Palácio de Verão em Eisenstadt (na Áustria, onde há o Haydnsaal) ou na residência em Fertőd, na conhecida hoje como a Versailles da Hungria, Haydn proveu os príncipes e seus visitantes com inúmeras Sinfonias, Concertos, Óperas e Missas, dirigindo uma orquestra local e coro famosos na Europa pela qualidade artística.

Após 3 décadas de serviços, em 1790 a realidade européia mudando, o Príncipe desiste de manter tal estrutura com orquestra, coro e um compositor e dispensa Haydn de seus serviços. Com a pensão anual reduzida à metade, mas autorizado a fazer música para quem quisesse, Haydn se beneficia da fama de seu nome e principalmente de suas Sinfonias, a esta altura copiadas e tocadas em toda a Europa. Faria bom dinheiro com duas séries de concertos em Londres, para as quais escreveu suas últimas 12 Sinfonias, entre 1791 e 1795. 

Em 1809, já velho e doente, fica sabendo que as tropas de Napoleão invadiram a cidade. Um oficial de alta patente bate à porta, vindo avisar que por ordem expressa do Imperador dos Franceses iria guardar sua casa. Haydn não podia se levantar da cama. Então o oficial francês, em sinal de respeito, ajoelhou-se e cantou, com boa voz de barítono, uma ária do Oratório "A Criação", obra que Haydn escrevera após suas temporadas londrinas, inspirado pelo "Messias" de Händel. 

Anos antes, em 1804, esteve no Palácio do Príncipe Lobkowitz em Viena para testemunhar os ensaios da Terceira Sinfonia de seu mais ilustre aluno, Beethoven, a primeira que saía dos limites estéticos impostos pelo Classicismo. Perguntado se havia gostado, respondeu com grandeza: — "Se gostei? Não sei... Mas hoje a música mudou para sempre!". Nascia ali o Romantismo, calcado nas estruturas por ele deixadas.

© RAFAEL FONSECA

Catálogo Hob:

Hob I:83 - Sinfonia n. 83 "A Galinha"
Hob XVI:52 - Sonata n. 62
Hob XVIII:11 Concerto para piano n. 11


Obras em ordem cronológica:

(1783) Concerto para piano n. 11
(1785) Sinfonia n. 83 "A Galinha"
(1794) Sonata n. 62

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