Com o advento do pianoforte no final do século XVIII e sua sofisticação resultando no piano no início do século XIX, aumentou-se gradualmente o potencial interpretativo do instrumento, conferindo-lhe maior capacidade poética através da amenização da sonoridade — pois o cravo, instrumento de teclado que reinava antes do piano, tinha som contundente — e do incremento das dinâmicas de som (com o pianoforte, podia-se ir do "piano" ao "forte", do baixo ao alto, coisa que o cravo não conseguia, tocando sempre uma única altura de som).
Isso fez com que os compositores explorassem o teclado de uma maneira totalmente nova. Se antes as Sonatas eram quase pequenos tratados de harmonia e obedeciam um percurso esquemático (a chamada forma-sonata), e significavam mais um veículo para o instrumentista exibir técnica e virtuosismo, agora o teclado, no piano, oferecia a chance de criar beleza de uma forma mais descompromissada da técnica.
Primeiro surgiram essas pequenas peças — as Miniaturas — em peças desimportantes: as "Bagatelas" de Beethoven demonstram isso, pois bagatela que dizer, literalmente, objeto de pouco valor. Os primeiros Românticos da geração pós-Beethoven investiram nessas obras de curta duração, dando-lhe nomes variados. Era o tempo da disseminação do piano nas casas de família e da venda de partituras, criando um comércio forte dessas pequenas obras. Chopin, na Paris dos 1830-40, elevou tais pecinhas a um nível artístico ideal, e criou todo um universo novo de obras para piano.
© RAFAEL FONSECA
(1788) MOZART Adagio para piano
(1829—1845) MENDELSSOHN Canções sem palavras
(1831) SCHUMANN Allegro opus 8
(1837) CHOPIN Scherzo n. 2
(1839) SCHUMANN Arabescos
(1839) SCHUMANN Humorístico
(1849) SCHUMANN "Cenas da Floresta"
(1853) SCHUMANN "Canções do Amanhecer"
(1877) LISZT "Anos de peregrinação"
(1911) SCHOENBERG Pequenas peças para piano
(1917) PROKOFIEV Visões fugidias
(1831) SCHUMANN Allegro opus 8
(1837) CHOPIN Scherzo n. 2
(1839) SCHUMANN Arabescos
(1839) SCHUMANN Humorístico
(1849) SCHUMANN "Cenas da Floresta"
(1853) SCHUMANN "Canções do Amanhecer"
(1877) LISZT "Anos de peregrinação"
(1911) SCHOENBERG Pequenas peças para piano
(1917) PROKOFIEV Visões fugidias