Konsertföreningen (Fantasia sinfônica, título depois abandonado)
Compositor: Jean Sibelius
Número de catálogo: Opus 105
Data da composição: 1918 a 2 de março de 1924
Estréia: 24 de março de 1924 — Estocolmo, regência do autor
Duração: 20 a 24 minutos
Efetivo: 2 flautas, 2 piccolos, 2 oboés, 2 clarinetas, 2 fagotes, 4 trompas, 3 trompetes, 3 trombones, tímpano, cordas (primeiros e segundos violinos, violas, violoncelos e contra-baixos)
Compositor: Jean Sibelius
Número de catálogo: Opus 105
Data da composição: 1918 a 2 de março de 1924
Estréia: 24 de março de 1924 — Estocolmo, regência do autor
Duração: 20 a 24 minutos
Efetivo: 2 flautas, 2 piccolos, 2 oboés, 2 clarinetas, 2 fagotes, 4 trompas, 3 trompetes, 3 trombones, tímpano, cordas (primeiros e segundos violinos, violas, violoncelos e contra-baixos)
Em 1924, Jean Sibelius vivia uma das crises mais profundas de sua existência. O alcoolismo que o perseguia há anos havia se intensificado, e sua vida pessoal desmoronava. Aino, sua esposa de quase três décadas, escreveu uma carta desesperada: — "Querido Jeane, você ainda é querido para mim? É claro que sim. Sei que não posso mais falar desse assunto, que isso só faria as coisas, entre nós, ficarem ainda piores. Estou muito infeliz e se você não mudar, acabará afundando. Tente, pelo amor de Deus, livrar-se do que está te arrastando para o fundo." Essa carta, um dos raros documentos nos quais Aino expressa seu incômodo com o vício do marido, revela a angústia de uma mulher que via seu companheiro descer às profundezas. Sibelius recebeu essa súplica enquanto trabalhava na obra que acabaria sendo sua última Sinfonia, embora ele tenha vivido mais de 3 décadas depois dela (e nesse período, destruído o que seria a Oitava).
Sibelius, no auge de seu sofrimento, atinge uma espiritualidade que vai além do dramático, além do heroico.
O material temático remonta a 1914, quando Sibelius ainda trabalhava na Quinta. Em 1918, ele anotou os primeiros planos para uma sinfonia em três movimentos. Nos anos seguintes, o projeto evoluiu e passou a ser concebido em quatro movimentos. Mas em 1923, durante uma viagem à Itália, Sibelius quis levar às últimas consequências sua busca por concisão musical, processo iniciado com a Terceira Sinfonia. A obra então passou a ser pensada em um único arco, não haveria interrupção entre movimentos. Tudo fluiria como uma única respiração.
Quando completou a partitura em 2 de março de 1924, Sibelius a chamou de "Fantasia Sinfônica". Essa era uma forma de indicar que a obra transcendia as categorias tradicionais. Ao publicar a obra em 1925, o compositor mudou de ideia e chamou-a de Sétima Sinfonia. Essa mudança de título marca o reconhecimento de que havia alcançado algo definitivo, algo que encerrava um ciclo. São apenas vinte e poucos minutos de música que contêm a profundidade de uma Sinfonia completa, sem nenhum gesto supérfluo.
Temas reaparecem, metamorfoseados, como se a própria música estivesse buscando respostas para perguntas que não consegue formular.
Depois de completar a Sétima, Sibelius destruiu os rascunhos e ideias que poderiam ter resultado em uma Oitava Sinfonia. Vinte anos depois, em 1945, ele jogaria os originais no fogo. Esse silêncio de três décadas, essa recusa de compor uma oitava obra, não era simplesmente o repouso de um compositor cansado. Era a afirmação de que havia dito tudo o que precisava dizer. A Sétima era o ponto final.
Adagio — Allegro moderato — Vivace — Presto — Adagio
(Lento — Rápido moderado — Vivo — Muito rápido — Lento)
Cada seção da sinfonia flui para a próxima sem ruptura, mas com transformações profundas. A sequencia dos andamentos tem, na verdade, muito mais indicações e nuanças de tempo que o plano geral exposto acima (coloquei assim para simplificar a compreensão das 5 fases principais).
Adagio — Allegro moderato — Vivace — Presto — Adagio
(Lento — Rápido moderado — Vivo — Muito rápido — Lento)
Cada seção da sinfonia flui para a próxima sem ruptura, mas com transformações profundas. A sequencia dos andamentos tem, na verdade, muito mais indicações e nuanças de tempo que o plano geral exposto acima (coloquei assim para simplificar a compreensão das 5 fases principais).
Difícil descrever a obra que mais parece uma monumental Passacalha, com várias passagens e atmosferas, cheia de mistério, contemplativa e suavemente lírica. No Adagio inicial, uma atmosfera pesada, com um impactante e sombrio solo de trombone; a seção central parece-se com um Scherzo, e tudo caminha para terminar novamente em Adagio, quando uma bela frase das cordas (sozinhas) atinge o êxtase musical e conduz a um finale que termina em suspiro.
O velho maestro russo Koussevitzky era seu forte defensor e chamou-a de "Parsifal finlandês". E trata-se de um canto-de-cisne: após sua conclusão, uma Oitava Sinfonia foi destruída pelo compositor e Sibelius ainda viveria mais 3 décadas sem escrever outra obra importante, num silêncio ensurdecedor.
O velho maestro russo Koussevitzky era seu forte defensor e chamou-a de "Parsifal finlandês". E trata-se de um canto-de-cisne: após sua conclusão, uma Oitava Sinfonia foi destruída pelo compositor e Sibelius ainda viveria mais 3 décadas sem escrever outra obra importante, num silêncio ensurdecedor.
© RAFAEL FONSECA